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Você sabe como prevenir um AVC – Acidente Vascular Cerebral?

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O Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente também como “derrame”, pode acontecer com qualquer pessoa. Mas você sabe como prevenir um AVC? Ele ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, impactando o funcionamento da área cerebral que teve a circulação sanguínea prejudicada.

Todos os anos, cerca de 100 mil pessoas perdem a vida por causa do acidente vascular cerebral, segundo dados do Ministério da Saúde. Segundo a Organização Mundial do AVC (World Stroke Organization – WSO), o AVC chega a afetar uma em cada quatro pessoas no mundo ao longo da vida. É considerada a segunda causa de morte no Brasil e no mundo, mas a prevenção pode evitar até 90% dos casos.

 

Por isso, em 29 de outubro é lembrado o Dia Mundial de Combate ao AVC, reforçando a necessidade de prevenção e de conscientização para reduzir os números de mortes por esse motivo. Neste ano, a campanha tem o mote “AVC Não Fique Em Casa”.

O objetivo é incentivar as pessoas a procurarem atendimento médico, além de manter os tratamentos de rotina e o acompanhamento profissional, mesmo durante a pandemia. Também de acordo com a WSO, neste período de pandemia, houve uma queda no número de pessoas que procuram os hospitais com sintomas de AVC. A redução chegou a 60% durante os primeiros meses de isolamento social, em especial pelo medo de contágio pelo coronavírus.

Neste contexto, muitas pessoas que apresentaram sintomas demoraram para procurar atendimento e pacientes que faziam tratamento de condições pré-existentes interromperam o tratamento. Mesmo com a frequência de acometimento maior em pessoas acima de 60 anos, com as mudanças da rotina nesta pandemia, o AVC vem sendo observado em adultos com média de idade de 45 anos.

 

Sinais do AVC

Normalmente, a pessoa sente fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar e em muitos casos a perda de visão. “Além disso, outros sintomas comuns são perda de coordenação e equilíbrio, boca torta e dor de cabeça que se inicia de forma súbita e já de forte intensidade. E, nesse momento, o socorro médico deve ser imediato. Quanto mais rápido for realizado o tratamento, maiores são as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas” comenta a coordenadora de Neurologia do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba (PR), Lívia Figueiredo.

O médico neurologista cooperado da Unimed-BH, Paulo Pereira Christo, enfatiza a importância de se atentar aos sinais do AVC. “Reconhecer os sinais e procurar atenção médica aos primeiros sintomas pode salvar vidas e reduzir as sequelas de pacientes com AVC”, explica.

A Associação Nacional do AVC (National Stroke Association), dos Estados Unidos, desenvolveu uma maneira simples de identificar um acidente vascular cerebral, conhecida pela sigla F.A.S.T. (ou “rápido”, em inglês). De acordo com Christo, aqui no Brasil, o acrônimo utilizado é o S.A.M.U.

O “S” vem de “sorriso”: peça para a pessoa sorrir; caso um dos lados do rosto não se movimente ou fique torto, pode estar ocorrendo um AVC. O “A” representa o “abraço”: abrace a pessoa e observe se ela consegue abraçar de volta; fique atento caso ela não consiga levantar algum dos braços ou se eles “caem” durante o abraço. O “M” vem de “mensagem” ou “música” e representa alterações na fala: peça à pessoa para cantar um trecho de uma música ou peça para ela repetir uma frase qualquer; caso haja alguma dificuldade, ela pode estar em vias de um AVC. Por fim, o “U” significa “urgência”: caso aconteça um ou mais desses sinais acima, é fundamental que a pessoa procure atendimento médico o mais rápido possível.

 

Como prevenir o AVC

Para Christo, conhecer os fatores de risco é também fundamental para a prevenção. “Hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto e fibrilação atrial (um tipo de arritmia cardíaca) são algumas das condições a serem observadas”, lembra. O médico também ressalta que a atividade física pode fazer diferença na prevenção ao AVC, uma vez que o sedentarismo aumenta em 36% as chances de uma pessoa ter um acidente vascular cerebral.

Paulo Christo esclarece que, aos primeiros sinais de um AVC, a pessoa deve ser encaminhada o mais rápido possível ao hospital. “É importante observar e anotar a hora em que os primeiros sintomas apareceram. Nos casos de AVC isquêmico, que é o tipo mais comum, com um atendimento rápido, em até 4,5 horas do início dos sintomas, pode ser administrado um medicamento que dissolve o coágulo, diminuindo a chance de sequelas mais graves”, acrescenta o especialista da Unimed-BH.

Hoje, 90% dos casos de AVC estão ligados aos hábitos cotidianos que poderiam ser modificados, de acordo com a Academia Brasileira de Neurologia. Entre eles: evitar o consumo de álcool, parar de fumar, praticar atividade física, manter dieta saudável, realizar o check up de rotina e controlar a pressão arterial, de acordo com a neurologista do Hospital Marcelino Champagnat.

 

Relação do AVC com a Covid-19

Estudos recentes têm mostrado que pacientes com Covid-19 podem ter uma maior incidência da doença. Muitas pesquisas, entre elas a realizada numa força-tarefa entre profissionais de saúde do Hospital Marcelino Champagnat e pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), apontam que a Covid-19 também é uma doença vascular, além de pulmonar. Os estudos são feitos com base em análises, autorizadas por familiares, de pacientes internados no hospital ou que morreram pela doença e que tinham comorbidades como hipertensão arterial, diabetes e obesidade.

 

AVC: principal causa de invalidez no mundo

A paralisia causada pelo acidente vascular cerebral ocorre pela interrupção de fluxo sanguíneo para o cérebro, seja por entupimento ou rompimento dos vasos. E sem suprimento de sangue, parte do cérebro sofre isquemia e deixa de funcionar. O AVC isquêmico, tipo mais comum e que acomete cerca de 85% dos pacientes, ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral por oclusão do vaso por um trombo/coágulo. Já o AVC hemorrágico ocorre por rompimento de uma artéria do cérebro, por exemplo, por uma rotura de aneurisma e acontece com menos frequência.

As sequelas da doença podem trazer diversas incapacidades, sendo que podem acometer uma em cada quatro pessoas e dependem da parte do cérebro que foi afetada pelo AVC, podendo ser graves e incapacitantes. A neurologista explica que quanto antes for feito o socorro e o atendimento, maiores são as chances de recuperação. A cada minuto sem suprimento sanguíneo, temos a morte de quase 2 milhões de neurônios. Portanto, quanto mais cedo for realizado o tratamento, a recuperação e a redução de sequelas serão mais efetivas.

COMO PREVENIR O AVC

1. Controlar a pressão arterial: a hipertensão elevada aumenta o risco de AVC, portanto, deve ser sempre mantida sob controle e acompanhamento médico. Além disso, especialistas recomendam também reduzir a ingestão de sal, alimentos ultra processados e os ricos em gordura saturada.

2. Reduzir a obesidade: um maior índice de gordura no corpo é mais um fator de risco para o acidente vascular cerebral. Manter o peso controlado pode prevenir a ocorrência de doenças como hipertensão e diabetes, que aumentam o risco de AVC. O ideal é manter o índice de massa corporal (relação peso / altura) abaixo de 25.

 

3. Fazer da atividade física um hábito diário: o movimento e o exercício físico são essenciais para a prevenção do AVC, pois garantem um bom fluxo sanguíneo nas artérias, reduzindo o risco de formação de coágulos e de outras doenças que podem ser fatores de risco potencial para o acidente vascular cerebral. Idealmente, 30 minutos de exercícios diários – uma caminhada, por exemplo – são suficientes para uma boa saúde arterial.

4. Limitar o consumo de álcool: estudos indicam que a ingestão de duas ou mais doses de bebida alcoólica por dia aumenta a ocorrência do AVC. Em pequenas doses diárias, o vinho tinto é considerado a melhor opção, por conter resveratrol que apresenta ação protetora para o cérebro e o coração.

5. Manter ou iniciar tratamento da fibrilação atrial: esse tipo de arritmia causa batimentos cardíacos irregulares, o que é um importante fator na formação de coágulos que podem acabar atingindo o cérebro e resultar em um AVC. De acordo com o neurologista cooperado da Unimed-BH Paulo Christo, a fibrilação atrial deve ser levada muito a sério, pois aumenta em até de cinco vezes o risco de um acidente vascular cerebral. Ao sentir falta de ar e palpitações, procure um cardiologista assim que possível, para que a condição possa ser avaliada, reduzindo o risco de um AVC.

6. Controlar o diabetes: um nível elevado de açúcar no sangue afeta negativamente os vasos sanguíneos, criando um ambiente favorável para a formação de coágulos e, portanto, aumentando a possibilidade de AVC acontecer. Esteja atento e mantenha o acompanhamento médico regular.

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