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“Vacinas contra a Covid-19: como elas vão proteger e por quanto tempo

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“Da lista de quase 150 vacinas em desenvolvimento no mundo que visam a proteção contra o novo coronavírus, 19 estão nas etapas mais avançadas. Os dados são referentes até o início de julho, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As estratégias de ação de cada uma delas, no entanto, são diferentes, e isso pode impactar na produção e mesmo na efetividade do imunizante. O objetivo, no entanto, é único: garantir que o sistema imunológico esteja preparado para defender o organismo quando encontrar o vírus real e evitar o desenvolvimento da Covid-19.

Vacinas do tipo vetor viral não-replicante
Usar, como uma espécie de “fantasia”, um vírus diferente para enganar o sistema imunológico não é uma das estratégias mais clássicas no desenvolvimento de vacinas, mas tem tido bons resultados nos testes clínicos contra a Covid-19.

A vacina desenvolvida pela universidade britânica Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, faz uso dessa abordagem, e ocupa atualmente a primeira posição na largada dos imunizantes contra o novo coronavírus. A mesma estratégia foi adotada pelos pesquisadores da farmacêutica CanSino Biological, ao lado do Instituto de Biotecnologia de Beijing, na China, e do Instituto de Pesquisa Gamaleya, da Rússia. No primeiro, já estão na fase 2 dos testes, enquanto no segundo caso, estão na fase 1.

A abordagem parece simples: o pesquisador utiliza um vírus diferente, como o adenovírus (causador de resfriados comuns), e retira dele o material genético. No lugar, coloca-se, por meio de engenharia genética, um gene que produz uma das proteínas do novo coronavírus.

“O sistema imunológico não quer saber se aquele vírus é um adenovírus ou se é um vetor viral de outro vírus, e responde contra tudo, inclusive contra a proteína do coronavírus que foi inserida”, explica Flavio da Fonseca, virologista e pesquisador do Centro de Tecnologia em Vacinas (CT Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Como se trata de um vírus não-replicante, ou seja, incapaz de se reproduzir, cada partícula do vírus que for introduzida no organismo poderá infectar uma célula e nada mais, servindo de “isca” para o sistema imunológico aprender a se defender. A técnica, no entanto, pode ter falhas.

Dependendo do tipo de vírus que é escolhido para servir de “fantasia”, o sistema imunológico pode já ter anticorpos treinados para combatê-lo. Assim, quando a pessoa recebe a vacina, o corpo não teria tempo de aprender a se defender, porque as células de defesa já o eliminaram. Por isso que, no caso da vacina de Oxford, o adenovírus utilizado é um que infecta chimpanzés, e não seres humanos.

“Não podemos usar o adenovírus humano, que causa o resfriado comum, porque assim que entramos em contato com ele, o sistema imunológico ataca logo de cara. Não seria, portanto, eficiente. O adenovírus do chimpanzé, que é ligeiramente diferente, consegue entrar no corpo sem ser eliminado rapidamente, mas reconhecido e então combatido”, explica o virologista.

Outro detalhe também chama atenção dos especialistas: vacinas com esse tipo de abordagem ainda são raras. De acordo com o químico medicinal Derek Lowe, autor do blog “In The Pipeline”, publicado pela revista Science, apenas a vacina contra o Ebola usou esse tipo de estratégia. “Apesar de ser testada há muitos anos, uma vacina humana [que use um vetor viral não-replicante] ainda é uma aposta”, completa o virologista.”

“Há mais de 140 vacinas sendo desenvolvidas contra a Covid-19, mas as mais avançadas nos estudos atuam em quatro frentes diferentes| Foto: Bigstock
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Da lista de quase 150 vacinas em desenvolvimento no mundo que visam a proteção contra o novo coronavírus, 19 estão nas etapas mais avançadas. Os dados são referentes até o início de julho, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As estratégias de ação de cada uma delas, no entanto, são diferentes, e isso pode impactar na produção e mesmo na efetividade do imunizante. O objetivo, no entanto, é único: garantir que o sistema imunológico esteja preparado para defender o organismo quando encontrar o vírus real e evitar o desenvolvimento da Covid-19.

Vacinas do tipo vetor viral não-replicante
Usar, como uma espécie de “fantasia”, um vírus diferente para enganar o sistema imunológico não é uma das estratégias mais clássicas no desenvolvimento de vacinas, mas tem tido bons resultados nos testes clínicos contra a Covid-19.

A vacina desenvolvida pela universidade britânica Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, faz uso dessa abordagem, e ocupa atualmente a primeira posição na largada dos imunizantes contra o novo coronavírus. A mesma estratégia foi adotada pelos pesquisadores da farmacêutica CanSino Biological, ao lado do Instituto de Biotecnologia de Beijing, na China, e do Instituto de Pesquisa Gamaleya, da Rússia. No primeiro, já estão na fase 2 dos testes, enquanto no segundo caso, estão na fase 1.

A abordagem parece simples: o pesquisador utiliza um vírus diferente, como o adenovírus (causador de resfriados comuns), e retira dele o material genético. No lugar, coloca-se, por meio de engenharia genética, um gene que produz uma das proteínas do novo coronavírus.

“O sistema imunológico não quer saber se aquele vírus é um adenovírus ou se é um vetor viral de outro vírus, e responde contra tudo, inclusive contra a proteína do coronavírus que foi inserida”, explica Flavio da Fonseca, virologista e pesquisador do Centro de Tecnologia em Vacinas (CT Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Como se trata de um vírus não-replicante, ou seja, incapaz de se reproduzir, cada partícula do vírus que for introduzida no organismo poderá infectar uma célula e nada mais, servindo de “isca” para o sistema imunológico aprender a se defender. A técnica, no entanto, pode ter falhas.

Dependendo do tipo de vírus que é escolhido para servir de “fantasia”, o sistema imunológico pode já ter anticorpos treinados para combatê-lo. Assim, quando a pessoa recebe a vacina, o corpo não teria tempo de aprender a se defender, porque as células de defesa já o eliminaram. Por isso que, no caso da vacina de Oxford, o adenovírus utilizado é um que infecta chimpanzés, e não seres humanos.

“Não podemos usar o adenovírus humano, que causa o resfriado comum, porque assim que entramos em contato com ele, o sistema imunológico ataca logo de cara. Não seria, portanto, eficiente. O adenovírus do chimpanzé, que é ligeiramente diferente, consegue entrar no corpo sem ser eliminado rapidamente, mas reconhecido e então combatido”, explica o virologista.

Outro detalhe também chama atenção dos especialistas: vacinas com esse tipo de abordagem ainda são raras. De acordo com o químico medicinal Derek Lowe, autor do blog “In The Pipeline”, publicado pela revista Science, apenas a vacina contra o Ebola usou esse tipo de estratégia. “Apesar de ser testada há muitos anos, uma vacina humana [que use um vetor viral não-replicante] ainda é uma aposta”, completa o virologista.

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Vacinas RNA / DNA
Sete das 19 vacinas mais avançadas nos testes utilizam como estratégia entregar às células o ácido nucleico (seja o DNA ou o RNA) do vírus para que, dentro delas, haja a produção da proteína do coronavírus. Como o organismo humano não expressa essa proteína normalmente, o sistema imunológico a atacará, aprendendo a se defender.

“A vantagem dessa vacina é que ela é segura, porque não é infecciosa [não é injetado o vírus ou as proteínas do vírus]. Mas não tem nenhuma vacina humana licenciada que use o ácido nucleico. Como estamos em uma situação emergencial, porém, todas as estratégias são testadas”, reforça o virologista.

Fazem uso dessa abordagem as vacinas produzidas pela farmacêutica Moderna, em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos; pela farmacêutica Pfizer, com a BioNTech e Fosun Pharma, que inclusive, no dia 1º de julho, anunciou resultados positivos nos testes de fase 1/2. Constam ainda as farmacêutias Inovio Pharmaceuticals, Genexine, Walvax Biotech, Curevac e o Imperial College de Londres.

Vírus inativado
Vacinas que usam o vírus inativado (ou, em um termo mais leigo, morto) são um dos tipos mais clássicos de imunizantes. Um exemplo são as vacinas contra a influenza, ou a gripe. “O pesquisador multiplica o vírus em laboratório e o mata por um processo físico-químico”, explica o virologista. Como as proteínas do vírus são mantidas, o sistema de defesa consegue reconhecê-lo como um agente estranho ao corpo, e atacá-lo.

Quatro vacinas testadas contra a Covid-19 utilizam o vírus inativado, como a desenvolvida pelo Instituto de Biologia Médica da Academia Chinesa de Ciências Médicas, pela farmacêutica Sinovac, a Sinopharm em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Beijing, e em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, ambos na China.

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Subunidade proteíca
Outra estratégia clássica na produção dos imunizantes é o uso de uma subunidade da proteína do vírus. As proteínas são bastante utilizadas porque, de acordo com o virologista, são o principal componente que o sistema imunológico reconhece nos agentes infecciosos.

“Um exemplo é a vacina para hepatite B. Ao invés de dar ao corpo o vírus morto ‘inteiro’, aplica-se apenas uma proteína daquele vírus. O pesquisador seleciona aquelas proteínas mais importantes, as purifica, e usa como vacina”, descreve Fonseca.

As vacinas da empresa de biotecnologia Novavax, da parceria entre Clover Biopharmaceuticals, GSK e Dynavax, da Vaxine Pty Ltd/Medytox e da biofarmacêutica Anhui Zhifei Longcom juntamente do Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências utilizam essa abordagem.

Vão funcionar? E por quanto tempo?
Apesar dos bons resultados atingidos até o momento, o avanço nas etapas dos testes clínicos não significa que todas as vacinas darão certo. De acordo com Flávio da Fonseca, virologista, a taxa de sucesso em imunizantes, em geral, é de 1%.

“A cada 100 vacinas, uma chega ao produto final. Mas hoje temos mais de 100 candidatos em estudos contra o novo coronavírus, então há chance de pelo menos um dar certo”, estima o especialista. Por esse motivo há tantas etapas na produção do imunizante, de acordo com José Carlos Alves Filho, imunofarmacologista, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

“Muitos dos estudos, quando falham, estão nas fases iniciais. Mas há casos que estão na fase 2, onde um número pequeno de pessoas recebe a vacina, e se trata de uma amostra um pouco viciada. Um grupo que não tem uma diversidade muito grande da população, no qual [a vacina] funciona bem. Mas em uma população mais diversificada, na fase 3, mostra-se pouco efetiva”, explica o imunofarmacologista.

Sobre o tempo de ação de uma determinada vacina (se serão necessárias doses de reforço a cada ano, como o caso da vacina da gripe, ou se uma dosagem será suficiente, como a da febre amarela), Alves Filho argumenta que diferentes fatores influenciam esse cálculo.

“Um dos principais é saber quão estável é o vírus, se ele sofre muita mutação ou não. Outros pontos são a abrangência de cobertura da vacina, quão eficiente será. Especificamente para a Covid-19, não se sabe o tempo de duração [da efetividade da vacina]. Para sabermos se uma vacina funcionou e por quanto tempo ela dura, você precisa olhar para trás, não para frente”, explica o especialista.

Em geral, o organismo produz células de defesa chamadas de linfócitos T, que são aqueles que permanecem por mais tempo no organismo, e colaboram com a memória do sistema imunológico – assim, quando o vírus retorna, o corpo sabe como se defender.

“Mas se o vírus sofrer mutação, esse linfócito que era para aquele vírus antigo, pode não ter nenhuma reação. Às vezes acontece a chamada reação cruzada, e alguns estudos indicam que possa ter essa ação contra o novo coronavírus. Foram identificados em algumas pessoas anticorpos circulantes contra os outros tipos de coronavírus, que podem proteger contra o novo, mas não se sabe ainda quão efetivo eles podem ser”, completa o imunofarmacologista.”

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