Apucarana

Estudantes protestam contra intervenção militar em Apucarana

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Estudantes e representantes de movimentos sociais realizam hoje, às 16 horas, o “Ato em Defesa da Democracia – Intervenção Militar Nunca Mais”, na Praça Rui Barbosa, em Apucarana. O evento tem como objetivo apresentar um contraponto ao discurso de defesa do regime militar apresentado nos últimos dias por caminhoneiros e também por outros segmentos da sociedade.

O protesto é organizado pela União Estudantil de Apucarana (UEA) e também por estudantes secundaristas e universitários de Apucarana. “Mais de 1,2 mil pessoas confirmaram participação ou mostraram interesse no evento pelo Facebook. Por isso, esperamos um grande número de pessoas”, afirma o acadêmico do 4º ano de Direito da PUC-Maringá, Gustavo Schuindt, um dos organizadores do ato. Segundo ele, o objetivo também é ganhar adesão de participantes da procissão de Corpus Christi, prevista para começar às 15 horas. Além da concentração na Praça Rui Barbosa, o grupo pretende sair em passeata até o Centro Cívico José de Oliveira Rosa, entre a Prefeitura e a Câmara.

“Nós entendemos a importância da greve dos caminhoneiros, mas não concordamos com esse pedido de intervenção militar. É um retrocesso. Além disso, não faz sentido. Se estivéssemos sob um regime militar, muitos desses caminhoneiros seriam presos e poderiam até ser torturados e mortos”, argumenta Schuindt. Segundo ele, o período militar foi “trágico”, especialmente para os estudantes. “Muitos morreram, inclusive na região, como é o caso dos estudantes José Idésio Brianezi e Antônio dos Três Reis Oliveira”, cita, lembrando os apucaranenses assassinados pela ditadura militar. O acadêmico de Direito considera, inclusive, um “simbolismo ruim” a presença de tanques do Exército nas ruas até mesmo para desobstruir as rodovias com a greve dos caminhoneiros.

ANÁLISE
O cientista político Elve Cenci, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que vários fatores ajudam a entender essa defesa da intervenção militar. “Em momentos de crise econômica, a exemplo do que ocorre no Brasil, é comum o aparecimento de grupos que propõem saídas autoritárias. Não é um fenômeno só brasileiro. Outro fator importante está relacionado com a nossa história. O Brasil tem uma história, até a Constituição de 1988, repleta de práticas autoritárias. Nossa história é de autoritarismo e não de respeito à democracia”, assinala.

Apesar do movimento pró-intervenção, o professor não acredita que existe o risco da volta do regime militar. “Os militares, a despeito de alguns discursos isolados, parecem ter clareza do seu papel e não estão interessados na ruptura da ordem democrática. O que justificaria um governo autoritário? E o que eles fariam no dia seguinte? Não acredito que exista qualquer propensão para a ruptura institucional. É muito mais barulho de grupos com pendores autoritários que não sabem exatamente as consequências do que estão defendendo”, completa.

 

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