Ocorrência Policial

Polícia cria força tarefa e instaura inquérito para apurar indução ao suicídio

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Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa instaurou um inquérito nesta quarta feira (19) para apurar o crime de indução ao suicídio. A investigação vai analisar se as nove tentativas de suicídio registradas no estado desde segunda feira (17) podem ter sido influenciadas pelo jogo “Baleia Azul”.

Foi criada uma força tarefa entre delegacias especializadas para agilizar as investigações. Além da Delegacia de Homicídios, integram a ação o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria); o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber); o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O instituto de criminalística também foi orientado a dar prioridade para as perícias relacionadas à força tarefa.

O delegado-geral da Polícia Civil, Julio Reis, esclareceu que todas as delegacias da Polícia Civil do Paraná foram orientadas sobre a força tarefa. O objetivo é que policiais de todo o estado estejam atentos as ocorrências que possam ter relação com o jogo.

Baleia Azul

O secretário de segurança pública, Wagner Mesquita, esclareceu que dos nove episódios notificados, em dois foi comprovado que as vítimas participavam do jogo “Baleia Azul”. Em um deles, um adolescente de uma escola estadual em Curitiba chegou a pedir que os colegas registrassem o momento em que ele tiraria a própria vida. Os alunos alertaram a escola que acionou o Conselho Tutelar e conseguiu evitar a tragédia. O segundo caso já confirmado de tentativa de suicídio pelo jogo foi em Pato Branco

Outros seis casos ainda estão sendo investigados, e em um episódio já se descartou a relação com o jogo. Todos os casos envolveram adolescentes com idade entre 13 e 17 anos.

O desafio viralizou nas redes sociais e sugere que o participante cumpra 50 tarefas. A última delas inclui tirar a própria vida. Mesquita garantiu que as ameaças feitas aos participantes do jogo, caso eles não cumpram os desafios, não são reais. O secretário afirmou que as ameaças de lesar pais e professores do adolescente caso ele denuncie o jogo não se concretizam e não passam de algo virtual.

Rastreamento

A Polícia Civil informou que trata a investigação com absoluta prioridade e tenta, com a máxima urgência, identificar quem está por trás do jogo “Baleia Azul”. Após as tentativas de suicídio notificadas, foram apreendidos celulares e computadores dos adolescentes. Os pais e os próprios jovens também começaram a ser ouvidos pela polícia.

Caso seja identificada a participação de suspeitos de fora do Paraná ou até mesmo do Brasil, a Polícia Civil vai acionar outras autoridades, como a Interpol.

Como ajudar

“A orientação aos pais e educadores dos jovens é que se registre a ocorrência, seja preservado o material (celular e/ou computador) e prestado atendimento médico imediato”, afirma o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.

Diante do pânico criado pela divulgação dos casos, Mesquita também orientou sobre a importância de não propagar boatos, ou informações erradas. “Eventualmente até em uma boa fé de repassar informações, acaba se criando um clima de boato que acaba atrapalhando o trabalho de se identificar o problema. Então não repliquem informações que você não tem certeza da origem”, alerta.

Ação multidisciplinar

Diante da gravidade da situação, uma ação multidisciplinar está em desenvolvimento para prevenir o surgimento de novos casos. Além de toda a ação da segurança pública, as secretarias de saúde, de educação estão orientando os profissionais das áreas sobre como identificar atitudes suspeitas como: mudanças de comportamento, isolamento e marcas no corpo. Todos os núcleos de educação e diretores de escolas já receberam as devidas orientações.