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DEPRESSÃO, O DESESPERO DA DESESPERANÇA; MAS HÁ ESPERANÇA!

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Muitos falam da doença do século, a depressão, mas somente quem já passou, viveu na pele e alma sabe muito bem quão difícil é sobreviver a essa dor.

Depressão não é frescura como muitos dizem, depressão não é falta de ter o que fazer, como outros maldosamente afirmam, depressão é uma doença que chega a ser além de uma doença física é também uma doença na alma, uma total desesperança através de uma certa cegueira espiritual no mundo e na realidade em que se vive.

Remédios, terapia, pensamentos positivos, são uma ótima fonte de ajuda sim, para os sintomas, porém serão meramente paliativos se não for atacado o problema.

E qual é afinal a causa de tanto sofrimento? De quem é a culpa? Dos pais que não dão atenção? Da falta de dinheiro? Do cônjuge? Somente algo químico no organismo? Porquê há quem sofre de depressão, algo que está atingindo pessoas cada vez mais jovens?

Podemos apontar vários nomes, mas nem tudo é culpa do outro, afinal nem todas as pessoas que tem pais omissos, ou que sofreram abusos, ou que tem cônjuges difíceis e distantes, ou ainda vivem em extrema pobreza tem depressão.

Depressão não é causada exatamente por um fator externo, pois as vezes aparentemente a vida da pessoa pode estar tudo bem – aos olhos dos outros -, mas está intimamente ligada ao próprio depressivo, na forma que ela vê e sente o mundo ao seu redor.

Talvez você nesse ponto esteja se perguntado “Quem é essa pessoa que escreveu esse texto?”, “Mais uma psicóloga/terapeuta”?, um “Guru do positivismo?”, não! Eu sou uma mulher que tem tendência depressiva desde a adolescência, e já tive crises que precisei de interação medicamentosa, vindo a ter até ataque de pânico! Sou alguém que viveu e sobreviveu em meio a depressão, e hoje, há​ mais de um ano, estou livre de qualquer terapia, pois consegui ‘achar’ o porquê.

Desde minha adolescência sofri de um certo desânimo crônico, e também um crônico questionar de ‘o porquê da vida’, ‘qual era o sentido da minha existência’… Cresci em meio a pensamentos de que não chegaria à minha fase adulta, de que logo morreria, pois não via muitos motivos para minha vivência, apesar de nunca ter sofrido grandes traumas, de ter sido sempre uma excelente aluna, de gostar de ler e de ajudar meus pais.

Porém assim fui vivendo, vivendo apesar desse desânimo sempre estar presente lá no fundo do meu ser. Casei, tive filhos, me mudei algumas vezes de cidade, e a depressão que dentro de mim já estava aflorou com essas pequenas pressões da vida. Tive várias recaídas, e com elas todos os questionamentos da minha existência se intensificaram. Sair da cama para atender o chamado dos meus filhos era imensuravelmente doloroso que dirá a ‘obrigação’ de ter que estar viva… é assim que um depressivo se sente: “Uma obrigação imposta pela vida de estar vivo!”

Muitas pessoas se contentam, se satisfazem, nem que momentaneamente, com o trabalho, estudos, um status, dinheiro ou compras, comida, esporte, um hobby… Mas não eu, uma depressiva. Para mim tudo isso sempre não passam de meras coisas para viver mas não um motivo para viver. Viver para trabalhar, comer, casar, ter filhos, e envelhecer para depois morrer nunca fizeram sentido na minha cabeça, nunca achei muito c o l o r i d o…

Eu precisava de algo mais, um motivo realmente consistente e duradouro para viver.

E em meio a muitos questionamentos na última vez que estava tratando de depressão, um irmão mais velho e muito piedoso da igreja me falou que eu tinha que me contentar em Deus. Dias depois ouvi uma mensagem de um pastor que ele pregava exatamente isso, que o motivo das pessoas terem crises de ansiedade e depressão era que na verdade elas não confiavam em Deus!

Ah, isso foi um choque para mim, um tapa na cara, fique extremamente ofendida e revoltada, pois como eu que tinha tido sim já há alguns anos uma real experiência com Cristo não tinha fé???

Mas a Palavra de Deus ficou me incomodando, e foi quando cai em mim, e vi que realmente não estava buscando em Deus ser Ele a fonte da minha alegria, do meu contentamento, eu não me bastava na graça de Deus em meio a todas as circunstâncias, e não via que o viver era para a glória de Deus.

Na realidade, a causa da depressão nada mais é que PECADO. (Eu sei que você pode não ter gostado de ler isso, mas por favor, permita-me explicar, lembre-se que eu estou no mesmo barco que você).

O pecado que temos por herança dos nossos pais (Eva e Adão) nos distanciam da comunhão e plena satisfação e regozijo na glória de Deus, e é por isso que no mundo as pessoas buscam frenética e incessantemente preencher esse vazio, e em vão pois fomos criados para Deus, nas coisas do mundo: trabalho, lazer, estudos, dinheiro, compras, comida, sexo, poder. Porém para uma pessoa depressiva nem essas coisas ‘aliviam’ a falta de Deus. Até esses interesses acabam sendo desinteressantes.

A depressão nos deixa de vistas turvas, não permite que sintamos nem uma certa satisfação, cores, nos afazeres e bens da vivência humana. Enquanto no mundo, os outros tentam continuamente satisfazer seus desejos e anseios da alma, um depressivo não vê sentido nem nessas coisas vãs, perecíveis e passageiras, como por exemplo, trabalhar para ganhar um dinheiro que logo se vai, e assim ter que trabalhar novamente para ganhar novamente dinheiro, um ciclo cansativo para no fim da vida morrer e não levar nada…

Mas nada é capaz de satisfazer realmente a alma sedenta de nenhum homem, e somente há uma única fonte capaz de satisfazer plenamente: os rios de Água Viva, Deus!

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12:9)

Quando aprendemos a nos saciar em Deus e constantemente viver na dependência da sua graça, vemos que há sentido na vida, e não é de morte, mas sim viver para a glória de Deus, mortificando somente nossos pecados e desejos impuros para viver, e viver plenamente para o Senhor.

Quando buscamos a satisfação em pessoas ou coisas, é certo que iremos nos decepcionar, pois pessoas são falhas, os bens acabam, mas Deus é eterno e sua vontade é boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2)

Como diz o pastor e teólogo Steve Lawson:

“Se olho para mim, me deprimo. Quando olho para os outros me iludo. Quando olho para as circunstâncias me desencorajo. Mas quando olho para Cristo me completo.”

Só estaremos plenamente felizes quando adorarmos somente a Deus e nada ou ninguém além Dele. Por isso se culpamos a alguém de estarmos em depressão é porque essa pessoa que nos frustrou era objeto de nossa adoração, e não quem realmente deveria ser: Deus.

É certo que as pessoas irão nos frustrar, que nós iremos frustrar as pessoas, que nós iremos frustrar até a Deus, porém Deus jamais irá nos frustrar pois Ele diz: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11)

A saída da depressão não é a morte, a saída da depressão não é somente ir levando a vida sem gosto somente com desgosto, a saída da depressão é crer que Deus é o suficiente para nossa vida e nos bastar Nele, pois Ele é tudo do que realmente precisamos.

O Senhor diz: A minha graça te basta! Quando satisfeitos Nele, não sentiremos necessidade de mais nada, o regozijo será completo e eterno.

Que possamos estar com nossos olhos constantemente fixos no Único que pode nos dar real esperança mesmo em meio a tantas desesperanças com o mundo que nos cerca. E quando quisermos nos lamentar que possamos dizer como o profeta Jeremias:

“Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos,
porque as suas misericórdias não têm fim;

Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.

A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.”

(Lamentações 3:21-24)

Esperemos no Senhor pois Ele nos guardará e nos satisfará. Que o Senhor nos abençoe e regozije nosso coração.

Em amor,

Grácia Donadeli