Crianças mortas pela mãe são sepultadas em Itambaracá

Duas crianças, João Miguel Andrade, de 5 anos, e Heloíse Emanuelly Andrade, de 1 ano e 4 meses, foram sepultadas na manhã desta quinta-feira (05) no Cemitério Municipal de Itambaracá, no Norte Pioneiro do Paraná. A família decidiu não realizar velório; os corpos seguiram diretamente para o enterro, às 11h, em cerimônia reservada.

A mãe, Franciele Grawleta, de 27 anos, confessou o crime e permanece presa em local não revelado pelas autoridades. Segundo a Polícia Civil, as crianças foram mortas por asfixia dentro da residência da família, em Arapongas, na Região Metropolitana de Londrina.

Após o crime, conforme a investigação, Franciele colocou os corpos no banco traseiro de um Hyundai HB20 vermelho e dirigiu por cerca de 149 quilômetros, em aproximadamente duas horas, até as margens do Rio das Cinzas, na PR-436, entre Itambaracá e Bandeirantes. O veículo foi abandonado próximo à ponte, e os corpos foram encontrados na manhã de quarta-feira (04).

Em áudio enviado a um familiar antes de ser localizada, ela pediu que alguém fosse até o local: “Eu deixei o carro aberto porque, sei lá, nem sabia se eu fechava, se eu não fechava, o que eu fazia. Então eu deixei aberto. Tá bom? Aí você manda alguém vir. Vem socorrer eles aqui”, disse.

Depois de abandonar o carro, Franciele pulou da ponte numa tentativa de tirar a própria vida, mas se segurou em galhos e sobreviveu. Horas depois, foi encontrada escondida em uma propriedade rural nas proximidades de um pesque-pague, a cerca de três quilômetros do ponto onde o veículo havia sido deixado.

Ela foi presa em flagrante em Itambaracá e levada inicialmente à Delegacia de Polícia Civil de Andirá, onde passou pelos procedimentos de polícia judiciária. Por questões de segurança e conforme protocolo do Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen) para presas provisórias em casos de grande repercussão, o destino da transferência para uma penitenciária feminina não é divulgado.

Investigação apura motivação e guarda das crianças

A apuração, conduzida pelo delegado Denner Roque, ainda busca esclarecer a motivação do crime. Uma das principais linhas é a disputa judicial pela guarda dos filhos entre a mãe e o pai, que mora em Itambaracá. A polícia não confirmou oficialmente que essa disputa tenha sido o motivo dos homicídios. Em depoimento, Franciele declarou que cometeu o crime para “proteger os filhos”.

Defesa pede cautela e reforça colaboração

A defesa informou que a acusada colabora com as autoridades e que as alegações serão discutidas no processo legal. Em nota, afirmou: “A assessoria jurídica da acusada, FRANCIELE GAWLETA, vem, diante dos noticiários veiculados pela imprensa, esclarecer que os acontecimentos estão sendo apurados no devido processo legal, oportunidade em que todas as alegações serão devidamente contraditadas e comprovadas, com base na verdade real e nos elementos constantes dos autos”.

A nota ainda ressalta a confiança “nas instituições e no Poder Judiciário” e pede cautela diante de “conclusões (…) prematuras, especulativas, temerárias e prejudiciais (…) à presunção de inocência”, mantendo-se à disposição para esclarecimentos “dentro dos limites éticos da advocacia e do sigilo processual”.

O caso segue em investigação, e informações sobre a unidade prisional e outros detalhes não foram divulgadas. Novas atualizações devem ocorrer conforme o avanço das apurações oficiais.

Fonte: Redação

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