Com a cidade a apenas sete moradores da próxima faixa do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Cambira apresentou ao IBGE, em Curitiba, um dossiê técnico solicitando a revisão da estimativa populacional de 2026. Segundo a administração municipal, os dados reunidos indicam que a população efetivamente atendida pelos serviços públicos locais pode ser superior à estimativa oficial divulgada neste ano.
A entrega ocorreu nesta quinta-feira (17), com a participação da prefeita Ana Lúcia de Oliveira e do secretário municipal de Fazenda, Guilherme Augusto Caldini. Eles foram recebidos por representantes do Instituto, entre eles Silval Dias dos Santos e o superintendente estadual do IBGE no Paraná, Tobias Augusto Rosa Faria, que assumiu a função após processo seletivo interno anunciado pelo próprio Instituto em 2026.
Sete moradores da próxima faixa do FPM
Na estimativa divulgada em 28 de agosto de 2026, com referência em 1º de julho, Cambira aparece com 10.182 habitantes. O número representa crescimento frente à estimativa anterior, de 10.045 moradores (alta aproximada de 1,36%).
Pela tabela adotada pelo TCU, municípios com até 10.188 habitantes ficam no coeficiente 0,6 do FPM; entre 10.189 e 13.584 habitantes, o coeficiente é 0,8. Assim, a diferença para que Cambira mude de faixa é de apenas sete habitantes. Eventual alteração, porém, depende da análise dos dados pelos órgãos responsáveis e de seus efeitos sobre a definição dos coeficientes — aprovados anualmente pelo TCU.
Dossiê reúne dados de saúde, educação e expansão urbana
Para fundamentar a solicitação, a Prefeitura informou ter mobilizado secretarias e autarquias para compilar informações administrativas, territoriais e de atendimento à população. Na Saúde, foram apresentados dados de mais de 13 mil cadastros ativos no sistema da Autarquia Municipal de Saúde e a projeção de encerrar 2026 com mais de 44 mil consultas realizadas.
Na Educação, o levantamento considera uma estrutura que atende mais de 1.800 estudantes, somando as redes municipal e estadual e a APAE. O material também traz indicadores de expansão urbana — novas ligações de energia elétrica, novas economias de água, avanço imobiliário e aprovação de loteamentos que, segundo o relatório, já somam mais de 800 novos lotes — além de informações sobre registros de nascimentos.
Segundo a administração municipal, o cruzamento dessas bases permite uma análise complementar da dinâmica populacional de Cambira, especialmente diante do crescimento urbano verificado nos últimos anos.
Fronteira com Jandaia do Sul entra no radar
O dossiê inclui ainda um estudo técnico sobre a delimitação territorial entre Cambira e Jandaia do Sul. De acordo com a Prefeitura, foram identificadas situações que justificam análise cartográfica mais detalhada em pontos da divisa, sob a hipótese de que eventuais divergências entre bases territoriais possam interferir na vinculação estatística de moradores que vivem próximos ao limite entre os dois municípios.
A documentação foi encaminhada ao IBGE para avaliação técnica. A existência de divergências e seus possíveis efeitos sobre os dados populacionais dependem da análise e validação pelos órgãos competentes.
Impacto financeiro estimado em até R$ 6 milhões ao ano
Além do aspecto demográfico, a revisão pode influenciar o planejamento financeiro do município. A passagem do coeficiente populacional de 0,6 para 0,8 representa elevação nominal de 33,3% no fator de enquadramento no FPM. Segundo cálculos apresentados pela Prefeitura de Cambira, caso a revisão populacional seja reconhecida e resulte na mudança do coeficiente, o impacto potencial poderia alcançar aproximadamente R$ 500 mil adicionais por mês — cerca de R$ 6 milhões ao ano.
Trata-se de uma estimativa da administração municipal. Os repasses efetivos do FPM variam conforme o montante distribuído pela União, os coeficientes definidos pelo TCU e as regras de rateio aplicáveis a cada exercício.
“Estamos lutando por aquilo que é de Cambira por direito. Nossa cidade cresceu, nossa economia está aquecida, novos lares estão sendo formados e a nossa rede de serviços públicos atende a todos com excelência. Não podemos ser penalizados e perder milhões em recursos por uma diferença de sete habitantes em uma estimativa que não reflete a nossa realidade de fato”, afirmou o secretário de Fazenda, Guilherme Augusto Caldini.
“Estamos defendendo os interesses de Cambira com responsabilidade, seriedade e, principalmente, com dados técnicos. Nosso município cresceu, novas famílias chegaram, novos loteamentos foram implantados e a demanda pelos serviços públicos também aumentou. Por isso, reunimos informações de diferentes áreas para apresentar ao IBGE um retrato mais completo da nossa realidade. Uma eventual atualização desses números poderá representar recursos importantes para fortalecer a saúde, a educação, a infraestrutura e demais serviços prestados à população. Agora, aguardamos a análise técnica do Instituto, com respeito aos critérios e procedimentos estabelecidos.” — Ana Lúcia de Oliveira, prefeita de Cambira
Fonte: Redação
