O resultado do segundo turno das eleições presidenciais pautou a sessão da Câmara de Vereadores de Apucarana nesta segunda-feira (26), marcada por cobranças sobre a ação policial que reprimiu uma manifestação no domingo (25), na Praça Rui Barbosa. O uso de armamento não letal e a prisão de três apoiadores do presidente Lula levaram manifestantes ao plenário para acompanhar a votação de um requerimento pedindo explicações à Polícia Militar (PM) e à Guarda Civil Municipal (GCM) sobre a intervenção.
Requerimento em urgência
De autoria do vereador Odarlone Orente (PT), o requerimento entrou em regime de urgência. Segundo o parlamentar, há discrepância entre a versão das autoridades — que apontam desacato — e a dos manifestantes, que falam em abuso de autoridade. Ele citou vídeos que registram a ação, incluindo a imobilização de uma mulher.
“Não havia policial feminina para fazer revista, um direito foi violado e isso precisa ser esclarecido. Não estamos contra as forças de seguranças, mas que elas sirvam de fato à sociedade”, afirmou o vereador, acrescentando que o PT estadual vai acionar a Secretaria de Estado da Segurança.
Relatos e acusações
A ativista cultural Luana Cristina de Oliveira, que presenciou a abordagem, discursou no plenário. “Foram seis jatos de spray na minha cara. Eu estava apenas tentando conversar. Vim aqui para exigir respostas”, disse. Em seguida, questionou: “Será que outras pessoas de outro campo ideológico seriam tratadas da forma?”
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O advogado Guilherme Schuindt, que acompanhou a ocorrência, afirmou acreditar que o caso possa ter surgido de um mal-entendido. “O que é entendido por muitas das pessoas que estavam lá, é que houve uma interpretação equivocada diante das manifestações, que diziam sobre a aproximação do candidato Flávio Bolsonaro, que tem essa relação com a milícia, e os policiais interpretaram que existiam algumas pessoas ali imputando aos policiais como serem membros de alguma organização miliciana”, disse.
Ele relatou também ter sido agredido durante a atuação das forças de segurança. “Eu, enquanto advogado, acompanhando a abordagem, após já ter me apresentado, acompanhando todas as diligências, também fui vítima, tomei um soco no rosto. Não houve confusão alguma, nem desacato entre os presentes. O que houve foi uma violência em relação às pessoas na praça, ocupando o espaço público e que tiveram uma série de direitos violados”, completou Schuindt.
Posicionamento da PMPR
Em nota, a Polícia Militar do Paraná afirmou que atuou nas manifestações realizadas após os resultados eleitorais para garantir o livre exercício do direito de manifestação, preservar a ordem pública e assegurar a segurança da população. Segundo o texto, “quando ocorrem situações que ultrapassam os limites legais, com a prática de condutas ilícitas, a Corporação realiza a pronta intervenção, adotando as medidas necessárias para restabelecer a ordem”.
A corporação informou que, conforme as circunstâncias e a necessidade operacional, podem ser empregados instrumentos de menor potencial ofensivo, observados os protocolos vigentes. A PM citou ocorrências registradas em Guarapuava, Apucarana, Ibiporã e outras cidades, com encaminhamentos relacionados a desacato, posse de drogas, desobediência e lesão corporal. Os envolvidos foram encaminhados para os procedimentos legais cabíveis, e a eventual responsabilização será analisada pelas autoridades competentes. A nota é datada de Curitiba, 26 de outubro de 2026.
Próximos passos
O requerimento apresentado na Câmara solicita informações da PM e da GCM sobre a atuação na Praça Rui Barbosa. O resultado da votação e eventuais prazos para resposta não foram divulgados. Novos desdobramentos podem ocorrer a partir do acionamento da Secretaria de Estado da Segurança, mencionado pelo vereador.
Fonte: Redação
