O silêncio durante a terapia – Ednotícias
Sonho Analítico

O silêncio durante a terapia

Às vezes durante uma sessão de análise é importante que o terapeuta esteja atento às manifestações silenciosas do paciente, tais como suas atitudes corporais, sua respiração, a forma como ele reage à sua fala, sua vontade de rir ou chorar após certa palavra ou certo fato. Ao acompanhar “o fio das palavras do paciente” o terapeuta percebe as expressões que se repetem, as alterações da voz, o silêncio, o olhar. O silêncio é uma forma de comunicação sem palavras entre paciente e terapeuta e pode ter vários significados. Às vezes pode representar só um momento de reflexão do paciente, pode ser uma forma de resposta, pode ser simplesmente um momento “vazio” ou ao contrário falar mais coisas do que as palavras. Quando duas pessoas se encontram acontece uma troca de afetos conscientes e inconscientes, desta forma quando elas conversam entre si há um diálogo entre conscientes, mas também entre dois inconscientes.

E através do laço transferencial estabelecido no setting terapêutico há um encontro entre o inconsciente do analista e do analisando, Freud (1912 p.129) afirma que o analista “deve voltar seu próprio inconsciente, como um órgão receptor na direção do inconsciente transmissor do paciente” e que “[…] o inconsciente do médico é capaz, a partir dos derivados do inconsciente que lhe são comunicados, de reconstruir esse inconsciente […]”.

E nesta comunicação silenciosa que se estabelece, apenas uma sensibilidade muito bem sintonizada com o estado afetivo do paciente permite identificar se a comunicação configurou para ele um sentido verdadeiro. Da mesma forma, muitos gestos, mudanças sutis num aperto de mão, por exemplo, alterações na voz, revelam os sentimentos colocados no jogo transferencial. Determinadas expressões faciais refletindo aprovação, hipótese, ou mesmo sugerindo desaprovação transmitem de forma não verbal uma resposta.

Durante uma sessão de análise tudo o que o paciente faz tem um sentido e deve ser levado em consideração pelo analista, assim sendo o próprio silêncio que pode se estabelecer no processo terapêutico se configura como um enigma direcionado ao analista para ser decifrado, pois como Freud já nos dizia “nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”…

Obra citada no texto:

FREUD, S. (1912) Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. Em: FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

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