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ELEIÇÕES 2016

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Com novas restrições, candidatos vão focar no “corpo a corpo” e na web

As mudanças na legislação eleitoral aprovadas em 2015 devem modificar a forma com que candidatos vinham fazendo campanha. Além da proibição de doações por empresas, os candidatos estarão impedidos de usar materiais como cavaletes e de realizar pinturas em muros. O cenário atual de desconfiança da população na classe política também deverá interferir nas estratégias para se atingir o eleitorado.
Segundo vereadores entrevistados, o novo pleito será de testes e aprendizado para a classe, que terá que vencer novos obstáculos para chegar à Câmara de Curitiba em 2017. Entre as estratégias, falam em utilizar de forma mais eficaz a internet e o “corpo a corpo” no curto tempo de campanha, que começa em agosto.
Como forma de tornar a eleição mais igual, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também instituiu um teto para os gastos – em Curitiba, os candidatos a vereador podem gastar no máximo R$ 348 mil na campanha, o que corresponde a 70% do maior valor declarado na última eleição. Bruno Pessuti (PSC) foi o vereador eleito que mais gastou em 2012 – foram R$ 497,3 mil.
Para o vereador, a redução do tempo de campanha deve reduzir consideravelmente os gastos na tentativa de reeleição. “Antes existia um mercado de cabos eleitorais, que eram contratados por 90 dias. Como agora temos a metade do tempo, os gastos com material e com pessoal devem ser reduzidos.” Ainda de acordo com Pessuti, a redução no tempo de tevê fará com que o eleitor passe mais tempo buscando o candidato em que votará. “A internet terá um papel fundamental nesta busca, não só pelas redes sociais mas com os aplicativos de mensagens. Uma das principais estratégias deve ser a criação de grupos no WhatsApp para divulgar o trabalho de candidatos e também para disseminar informações que prejudique os adversários. A Justiça Eleitoral deve estar preparada para isso.”
O que pensam os candidatos?
proibição da doação por pessoas jurídicas também deve interferir. O vereador Pierpaolo Petruziello (PTB), que teve 75,5% das receitas da campanha por meio de doações de empresas, diz que vai “buscar estes amigos para que façam doações por pessoa física”. Para ele, o tempo curto de campanha beneficia quem tem mandato, mas as limitações de gastos tornam a disputa mais igual. “Não existe mais um programa de televisão, o candidato vai precisar ir pra rua para se fazer conhecido. O uso da internet também será essencial para divulgar propostas e o trabalho.”

Para o vereador Paulo Salamuni (PV) , as restrições impostas podem incentivar um gasto maior com cabos eleitorais para atuar na busca por votos. “É importante que a haja uma fiscalização mais atuante para evitar práticas ilegais.”

Especialista diz que disputa vai ficar mais qualificada
As mudanças eleitorais devem, em um primeiro momento, segundo especialistas, colaborar para que a renovação no Legislativo seja baixa e que os partidos invistam nos chamados “puxadores de votos”. Porém, para a especialista em marketing eleitoral Eloá Muniz, o que hoje parece ruim deve se tornar uma mudança de comportamento. “Com as normatizações do TSE, o pleito se tornará mais organizado e a forma de fazer campanha deve ser modificada. A proibição das doações de empresas é uma forma de dizer que a sociedade não aceita mais esse tipo de conduta”, diz. “Com o tempo, a disputa se tornará mais qualificada.”

Com uma campanha mais curta e proibição de doações de empresas, a tendência é que os candidatos mudem de estratégia e passem a encarar a campanha não apenas como um período de trabalho delimitado, mas de uma forma contínua, diz o professor de ciência política da PUCPR Másimo Della Justina. “As novas regras são uma clara evolução da democracia. Os candidatos devem ser criativos para trabalhar a imagem durante o período anterior à campanha e atuar para se tornar conhecido do eleitor.”

Para ele, o fim das doações por empresas também deve alterar a forma com que o pleito é decidido. “As campanhas atuais sofrem com uma ditadura financeira – quem tem mais dinheiro acaba se elegendo. Essa proibição trará mais igualdade à disputa.”
Gazeta do Povo
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