Colunistas Daniele de Oliveira

No que Alice se parece com você?

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Um olhar sobre Alice no País das Maravilhas

A grande maioria de nós já ouviu em algum momento de nossas vidas um pouco da História de Alice no País das Maravilhas. Uns gostam da História clássica de Lewis Carroll, outros preferem a Alice mais contemporânea como aparece no filme de Tim Burton estreado em 2010.

Partindo do princípio que todos os personagens são parte da imaginação de Alice, então podemos pensar que eles são Alice, mas não somente isso, neles podemos encontrar muitos aspectos que pertencem a nós.

Como por exemplo o Coelho que sempre aparece com o seu relógio correndo contra o tempo, verbalizando estar atrasado, dizendo que está tarde e sempre dando ordens a menina. Nesse contexto podemos compará-lo com a nossa correria do dia a dia, onde não paramos para pensar em nós, somente nas responsabilidades dos nossos afazeres. Sempre atrasados, com metas para cumprir, e quanto mais cumprimos, mais exigimos de nós mesmos.

Continuando nesse raciocínio, em sua busca Alice encontra uma Lagarta que a questiona: “Quem és tu?” Essa pergunta é muito importante, e na maioria das vezes não paramos para pensar sobre isso. Refletimos sobre muitas coisas, mas dificilmente chegamos a um consenso de quem somos, do que gostamos ou até mesmo quais são nossos planos. Ao fim da conversa com a Lagarta, Alice tem dois pedaços de cogumelos nas mãos e uma informação sobre eles: “Se o comer, um lado te fará crescer e outro lado te fará diminuir”. Isso remete às nossas escolhas. Todos os dias necessitamos escolher e nem sempre é fácil tomar decisões, acertamos algumas vezes e nos sentimos inflados, orgulhosos por ter feito a escolha certa, outras vezes nos decepcionamos e nos sentimos para baixo, diminuídos frente a algo que não deu certo.

Um personagem que simboliza bem o motivo pelo qual nos sentimos para baixo e frustrados quando algo da errado, é a Rainha das Copas, famosa por sua frase: “Cortem as Cabeças”. Esta representa o quanto a sociedade exige submissão às suas regras de nossa parte, quer etiqueta, compostura… Quando acertamos somos aplaudidos, temos sua gentileza. Se somos contrários ao que ela prega temos que arcar com a sua crueldade e desprezo. Afinal, quem nunca recebeu um olhar torto simplesmente por discordar da opinião de alguém? Por isso é muito importante saber o que queremos e quem somos. Sermos convictos de nossas crenças, assim fica mais fácil aceitar nossos erros e argumentar sobre o que acreditamos.

Em sua procura Alice encontra ainda o Gato e este aparece para demonstrar o quão importante é a tomada de decisões, planejar, saber aonde se quer chegar. Em apenas um diálogo ele nos ensina o quanto é essencial traçar metas, planejar:

Alice: – Que caminho eu vou tomar?

Gato: – Isso depende do lugar aonde quer ir.

Alice: – Oh realmente não importa desde que…

Gato: – Então não importa que caminho tomar.

Esse diálogo é autoexplicativo no que diz respeito aos nossos objetivos e quais caminhos estamos traçando para conquistá-los. Será que estamos no caminho certo? Gostamos de nossa profissão? Somos felizes? Afinal, qual caminho devemos tomar? A reposta dessa pergunta cabe a cada um individualmente, ninguém pode escolher por nós.

Após deixar o Gato, Alice encontra-se com o Chapeleiro Maluco e surpreende-se com uma festa de “desaniversário” que o mesmo está comemorando. E em meio a conversa (ele com toda sua sabia loucura) explica que aniversário fazemos somente uma vez ao ano, sendo que temos 364 dias de desaniversários.

Para finalizar, deixo aqui essa lição do Chapeleiro: afinal, no dia do nosso aniversário existem comemorações, é um dia diferente onde a maioria de nós decide passá-lo bem, sem brigas, sem tristezas, fazendo planos. Por que não comemorar nosso “desaniversário” todos os dias, e fazer desses dias tão especiais quanto o dia do nosso aniversário?

Diminua o seu Coelho, a sua Rainha de Copas e procure viver de forma mais leve. Afinal, essas pressões que sofremos na escola, faculdade, trabalho, entre outros, nunca diminuirão – o que muda é como as tratamos e a maneira que escolhemos levar a vida. Pense nisso!

Psicóloga Daniele de Oliveira

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