Arapongas

Polo moveleiro perdeu 1,9 mil empregos no Paraná

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Apesar dos números positivos nos últimos meses registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o polo moveleiro de Arapongas (norte do Paraná) continua em crise, segundo empresários do setor. O aumento no número de contratações nas empresas do ramo é tido como natural nessa época do ano. De acordo com o sindicato patronal, a busca por mão-de-obra cada vez mais qualificada aumenta cada vez mais, já que a aposta do setor tem sido a exportação e a inovação dos produtos.

Nos primeiros dois meses deste ano, o setor moveleiro admitiu 1.033 empregados e dispensou 745, resultando em um saldo de 288 novas vagas de emprego. O número ficou bem próximo do obtido no mesmo período do ano passado, quando houveram 1.485 contratações e 1.212 desligamentos, saldo de 273 novas vagas.

Porém, o desempenho no restante de 2015 ficou bem abaixo desse patamar. O ano fechou com 4.779 admissões e 6.703 demissões, saldo de 1.924 postos de trabalho extintos. Este se tornou o pior ano desde 2007, último ano com dados no sistema do Caged. “O aumento das contratações no início deste ano se deve a uma ação mais contundente de algumas empresas que, aproveitando a valorização do dólar frente ao real, conseguiram aumentar suas exportações, o que compensa em parte a queda do mercado interno”, destaca Irineu Munhoz, presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima).

No entanto, a situação ainda é vista com desconfiança. “Ainda precisamos de muito mais para recuperar os postos perdidos no ano passado. Isso infelizmente depende muito da situação política, para que haja uma recuperação da credibilidade do mercado, retomando as vendas e, consequentemente, devolvendo o setor a um patamar de crescimento”, afirma o presidente do Sima. Só no mês de março, duas empresas tiveram seus pedidos de Recuperação Judicial aprovados. Aramóveis e Móveis Belo vão passar pelo processo, que é uma medida para evitar a falência de uma empresa.

O pedido é feito quando a empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas, sendo assim um meio para que ela reorganize seus negócios e se recupere de uma momentânea dificuldade financeira. Outra grande empresa araponguense, o Grupo Simbal está em Recuperação Judicial desde junho de 2015.

Segundo Irineu, a capacitação profissional é ainda mais essencial em tempos de crise. “As empresas estão em um processo de readequação para essa nova realidade, procurando novos mercados, inovando em produtos, design e inteligência de mercado. Isso leva à procura de profissionais cada vez mais capacitados”, ressalta.

Empresas apostam em diversificação Diretor administrativo de uma empresa de móveis de Arapongas, Roberto Zaccariello Júnior, explica que a crise, agravada principalmente a partir do segundo semestre de 2015, tem infligido sucessivas perdas para a indústria moveleira. No entanto, segundo ele, é possível observar alguns setores que não foram tão afetados. “O setor de estofados foi o que mais sentiu, ao menos aqui na nossa empresa. No entanto, estamos conseguindo driblar a crise através dos produtos licenciados, cujas vendas pouco caíram”, afirma.

Produtos de personagens infantis famosos, por exemplo, são os grandes trunfos da empresa, segundo Zaccariello, que aponta ainda a diversificação de mercados como outro fator importante. “Temos fábrica não apenas aqui, mas também no Nordeste. Com isso, diversificamos o mercado consumidor, tendo um pouco mais de equilíbrio em um período turbulento como o de agora”, conta.

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