Operação Heisenberg prende 13 e desmantela tráfico de drogas no Paraná

Com 13 presos e 80 policiais mobilizados, a Operação Heisenberg desarticulou, nesta quarta-feira (28), um grupo investigado por tráfico de drogas e de armas no Paraná. A ação resultou ainda na apreensão de entorpecentes, armas de fogo e de um Volkswagen Jetta blindado de alto valor. Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava em Arapongas, no norte do Estado, e mantinha ligação com um laboratório de produção de haxixe “gourmet” no Mato Grosso do Sul.

De acordo com o delegado titular e operacional da 22ª Subdivisão Policial (SDP) de Arapongas, Saulo Baptista Neto, o líder da organização criminosa foi preso durante a operação. O laboratório investigado fica em região próxima à fronteira com o Paraguai, mas o endereço exato ainda não foi identificado. “Esse laboratório, a gente acredita que ainda está em funcionamento. Inclusive, no celular dele, é possível observar ele passando instruções para outras pessoas do grupo criminoso, com uma receita, como se fosse uma receita de bolo, da forma como tem que ser fabricado esse entorpecente”, afirmou.

A droga conhecida como “dry”, segundo a investigação, é uma forma de haxixe com maior concentração de substâncias psicoativas e é comercializada como produto de alto valor. A distribuição não se restringia a Arapongas, alcançando outras cidades da região e também o Mato Grosso do Sul.

Origem da investigação

A Heisenberg é um desdobramento de apurações iniciadas no ano passado, na Operação Dínamo, quando um fuzil foi encontrado enterrado em uma residência de Arapongas e um celular foi apreendido. A análise do aparelho apontou a ligação entre o proprietário do fuzil e o grupo agora investigado. “A partir da análise desse celular, a gente consegue confirmar que o proprietário do VW Jetta e líder desse grupo criminoso aqui na cidade de Arapongas é o proprietário também desse fuzil que havia sido apreendido enterrado nessa residência”, explicou Saulo. Segundo o delegado, conversas encontradas no aparelho também indicaram a comercialização de armas de fogo pelo grupo.

Conforme a investigação, o líder organizava a chegada do entorpecente do Mato Grosso do Sul e a distribuição em Arapongas, enquanto outros integrantes repassavam a droga a pontos de venda no município. “Essa pessoa que atuava aqui em Arapongas recebia esse entorpecente através de intermediários, inclusive familiares, e repassava para outros membros dessa organização que faziam a revenda”, detalhou o delegado.

Confrontos e prisões

Durante o cumprimento de mandados, equipes apreenderam entorpecentes em uma das residências, com apoio do Núcleo de Operações com Cães (NOC) da Polícia Civil e do canil da Polícia Militar. Segundo Saulo, pelo menos três pessoas da mesma família foram presas nesse endereço.

A ação também terminou em dois confrontos com equipes da Polícia Militar em Arapongas. Um dos suspeitos morreu no Jardim Ulisses Guimarães. O outro ficou ferido e foi encaminhado ao hospital. Ainda de acordo com a investigação, o homem que morreu era investigado por comercializar armas de fogo diretamente com o líder da organização criminosa e teria adquirido aproximadamente duas armas do grupo no último ano. O segundo suspeito, que ficou ferido, seria irmão do proprietário do Jetta blindado apreendido e atuaria como braço direito do líder.

Próximos passos

Apesar das prisões, a Polícia Civil pretende aprofundar a apuração para identificar outros envolvidos e localizar o laboratório de haxixe no Mato Grosso do Sul. “Celulares foram apreendidos, materiais arrecadados e, a partir de agora, a gente vai tentar recomeçar a investigação. Nosso maior objetivo é chegar nesse laboratório e desmantelar”, afirmou Saulo. Mandados foram cumpridos em Arapongas, Londrina e Primeiro de Maio, no Paraná, e as investigações continuam para esclarecer toda a estrutura do grupo e a extensão das atividades criminosas.

Fonte: Redação

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