Claudio Natalino Bagnolli

O “cravo de escrever” do século XIX

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Quando pensamos nas grandes ideias e inovações tecnológicas que nos rodeiam, temos a tendência natural de acreditar que a maioria delas surgiu por uma necessidade do ser humano, que, em algum momento da história, desejou aprimorar a maneira como desempenhava suas atividades.

Mas para nós, seres humanos modernos, É difícil imaginar como aqueles hominídeos, mesmo passando por tantas dificuldades no período, decidiram inventar instrumentos como a flauta, que nada faziam além de criar vibrações nas moléculas do ar.

Por incrível que pareça, foi exatamente o que nossos ancestrais fizeram. E o que os levou a inventar a flauta? O desejo de se divertir.

E é exatamente esse poderoso motivador, que se tornou surpreendentemente comum em toda a história da inovação.

Frequentemente, novas ideias surgem no mundo simplesmente por serem divertidas.

Muitas dessas invenções divertidas, embora pudessem parecer inúteis à  primeira vista, acabaram por desencadear transformações muito importantes na ciência, na política e na sociedade.

A história que conhecemos sobre os computadores programáveis é que eles surgiram da tecnologia militar, sendo usados para decodificar códigos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, os computadores têm uma história muito mais antiga e divertida, sobretudo, musical.

E novamente a flauta aparece: A ideia por trás da flauta, de assoprar ar através de tubos para produzir sons, foi finalmente modificada para criar o primeiro órgão há mais de 2 mil anos. Alguém teve a brilhante ideia de provocar a emissão de sons pressionando pequenas alavancas com os dedos, inventando o primeiro teclado musical.

Os teclados, por sua vez, evoluíram do órgão para o clavicórdio, o cravo e o piano.

Em meados do século XIX, um grupo de inventores teve a ideia de usar um teclado para gerar letras, em vez de sons, e criou a primeira máquina de escrever que foi originalmente chamada de “cravo de escrever” (Il cembalo scrivano, em italiano).

O Cembalo Scrivano consistia em mais de 800 componentes artesanais feitos de madeira, ferro e latão. A máquina era fixada em uma base de madeira. O teclado era composto por 31 botões em forma retangular em madrepérola e marfim, distribuídos em duas linhas sobrepostas; As teclas descreviam as letras do alfabeto e as marcas de pontuação, enquanto um botão era reservado para espaçamento. Os botões eram montados em alavancas de madeira conectados a martelo-titulares, ponderado com pesos para aumentar a força de digitação.

Pressionando um botão, o sistema de alavanca acionava o martelo transportador que batia na folha de papel de baixo para cima. A tinta era feita através da fita. Por meio de um sistema de exaustão, o carrinho de papel fazia um deslocamento com cada barra chave, permitindo a composição da linha. A campainha alertava-o para o fim da linha. O mecanismo de retorno de carro era controlado manualmente através de um cabo.