Mais de 6,6 mil empresas de Arapongas terão que reavaliar o Simples Nacional até setembro de 2026
Mudanças trazidas pela Reforma Tributária sobre o consumo anteciparam o prazo de opção pelo Simples Nacional para o ano-calendário de 2027: a escolha deverá ser formalizada entre 1º e 30 de setembro de 2026, pelo Portal do Simples Nacional. A decisão, que muitos empresários costumavam deixar para o início do ano, agora exigirá planejamento, simulações e acompanhamento contábil ao longo de 2026.
Impacto em Arapongas
Em Arapongas, o efeito é significativo: a cidade possui 21.457 CNPJs ativos, dos quais 6.613 estão enquadrados no Simples Nacional — aproximadamente 30,8% dos registros. Para esse contingente, a antecipação do prazo soma-se a uma mudança de cenário tributário que pede avaliação criteriosa.
O que muda com IBS e CBS
A principal mudança não está apenas no calendário. Com a Reforma Tributária, entram em cena o IBS, que substituirá ICMS e ISS, e a CBS, que substituirá PIS e Cofins. As empresas optantes pelo Simples poderão continuar recolhendo os tributos na guia única (DAS) ou escolher apurar IBS e CBS pelo regime regular, fora do Simples Nacional — decisão que pode alterar a carga tributária, a geração de créditos e a competitividade do negócio.
Decisão baseada em números
Para o contador Jorge Henrique Paiva, do Escritório Ipiranga, o recado central é não empurrar a análise para a reta final. “Essa é uma decisão que precisa ser tomada com base em números, não no impulso. A empresa precisa avaliar faturamento, margem, tipo de cliente, fornecedores, créditos tributários e projeção para 2027. Quem deixar para a última hora corre o risco de escolher um caminho que pode aumentar custos ou reduzir competitividade”, afirma.
Crédito tributário ganha peso
O alerta é maior para empresas que vendem para outras empresas. No novo sistema, os créditos tributários terão peso relevante. Negócios que permanecerem com IBS e CBS dentro do Simples podem manter uma rotina mais simples, mas tendem a gerar menos crédito para clientes que estão no regime regular. Já empresas que optarem por recolher IBS e CBS por fora poderão ampliar a possibilidade de crédito, com a contrapartida de uma rotina fiscal mais complexa.
Segundo Jorge, esse ponto pode levar muitas empresas a revisarem a permanência no modelo tradicional do Simples. “Muitas empresas devem deixar o modelo tradicional do Simples com essa mudança, não necessariamente porque o regime deixou de ser bom, mas porque a cadeia de clientes e fornecedores pode exigir outro formato. Se o cliente precisa de crédito tributário, isso entra na negociação. A empresa que não analisar isso pode perder espaço no mercado”, explica.
Mais que a alíquota: estratégia e regularidade
A decisão não deve se restringir à alíquota atual. O empresário precisará entender se o cliente aproveita crédito, se o setor depende dessa dinâmica e se o preço final continuará competitivo no novo modelo. Outro ponto é a regularidade fiscal: pendências tributárias podem dificultar a opção pelo regime, daí a orientação para revisar débitos, obrigações acessórias e enquadramento antes da abertura do prazo.
“Setembro é o prazo para formalizar a escolha, mas o planejamento precisa começar antes. O empresário deve procurar a contabilidade, fazer simulações e entender o impacto da reforma no próprio negócio. O Simples Nacional continua existindo, mas ele passa a exigir uma análise muito mais estratégica”, reforça Jorge Henrique Paiva.
Planejamento já
A mudança não significa que todas as empresas terão que sair do Simples Nacional. Em muitos casos, o regime continuará vantajoso. Porém, a escolha deixa de ser automática. Para os empresários de Arapongas, a recomendação é antecipar a conversa com o contador, projetar cenários para 2027 e avaliar se a empresa deve permanecer no Simples da forma tradicional ou adotar outra forma de apuração para IBS e CBS.
“O pior caminho é decidir no escuro. Cada empresa terá uma realidade. Algumas vão continuar no Simples sem grandes impactos. Outras precisarão mudar a forma de recolhimento ou até reavaliar o regime tributário. O importante é não deixar essa decisão para a última hora”, conclui o contador.
Fonte: Redação
