Arapongas registra nuvem funil; Paraná soma quatro casos em nove dias

Em nove dias, o Paraná registrou quatro ocorrências de nuvem funil — e Arapongas está na lista. A confirmação é do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que reconheceu o fenômeno no município no último sábado.

Segundo o Simepar, a nuvem funil recebe esse nome pela aparência em formato de funil que se estende a partir da base de nuvens do tipo Cumulonimbus ou Cumulus. O fenômeno surge da rotação de uma coluna de ar e representa o estágio inicial de um tornado. Só é classificado como tornado quando toca o solo e provoca ventos fortes.

Quatro registros em nove dias

- Patrocinado -

O primeiro caso do ano foi em 9 de janeiro, por volta das 13h, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O segundo ocorreu no dia 11, à tarde, em Paulo Frontin, próximo à divisa com Santa Catarina. O terceiro foi em 15 de janeiro, por volta das 16h, em São Jorge do Ivaí, perto de Maringá, no Noroeste.

O registro mais recente aconteceu na tarde de sábado (17), nas proximidades da Estrada do Bule, na zona rural de Arapongas. Um vídeo feito pela Defesa Civil está disponível no Instagram. Esses eventos tendem a ocorrer com maior frequência na primavera e no verão, quando as tempestades são típicas; muitas vezes, sequer são filmados ou catalogados e podem surgir em áreas pouco habitadas.

Por que acontece

Para o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, as condições de verão favorecem tempestades mais intensas. “Nesta época do ano nós temos os ingredientes básicos para a formação de tempestades severas, que são a umidade do ar, calor e, às vezes, alguma forçante meteorológica, como frente fria, ciclone extratropical ou uma grande área de convergência. Esses sistemas não atuam diretamente sobre o estado do Paraná, mas induzem a intensificação das tempestades e, associado ao calor e à umidade, esses eventos meteorológicos mais severos acabam se formando com maior frequência”.

O levantamento forçado do ar em serras e montanhas também contribui para a intensificação das tempestades. Com mais calor e umidade, elas podem evoluir para supercélulas — sistemas com desenvolvimento vertical muito intenso, chegando, às vezes, a mais de 15 km de altitude. “Dentro dessas tempestades, quando há o cisalhamento do vento, ou seja, quando o vento varia em direção e em intensidade entre várias camadas da atmosfera, acaba acelerando o processo dentro das tempestades. Elas podem evoluir para a formação de mesociclones, que são ventos girando dentro da nuvem, aproximadamente entre dois e 10 km, dependendo da severidade do sistema”, explica Kneib.

Segundo o especialista, a rotação do vento em supercélulas favorece a formação da nuvem funil. “Isso cria aquele funil que não chega a tocar o solo, por isso que é considerado uma nuvem funil. Se tocasse o solo, ele ia evoluir para um tornado, ou, sobre a água, seria uma tromba d’água. Então, a nuvem funil não apresenta perigo para a população em solo, apenas para a aviação”.

Risco e orientação

Embora a nuvem funil não represente risco direto em solo, ela pode ser o início de um tornado. A orientação é se afastar da área e buscar abrigo em estruturas de alvenaria. Dentro de casa, o local mais seguro é o banheiro, que costuma ter paredes reforçadas pelo encanamento.

Alertas à população

O Simepar faz a previsão de tempestades severas e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil emite alertas. Para recebê-los, basta enviar um SMS com o CEP da residência para o número 40199.

Fonte: Agência Estadual de Notícias

Compartilhar este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sair da versão mobile