Apucarana busca ampliar acolhimento familiar com seminário e especialistas

Apucarana reúne referências nacionais para fortalecer o acolhimento familiar e ampliar rede de proteção

Com especialistas de referência nacional, profissionais da rede de proteção e representantes de 27 municípios, Apucarana realizou nesta sexta-feira (23/10) o 1º Seminário Municipal de Acolhimento Familiar. O encontro, promovido pela Prefeitura no Cine Teatro Fênix, reforçou a importância do afeto e da convivência familiar e marcou mais uma etapa do fortalecimento do serviço no município.

No evento, o prefeito Rodolfo Mota destacou que a proteção à infância precisa ultrapassar os limites da assistência social e envolver diferentes áreas da administração pública. Ele citou o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, o Bolsa Atleta, o Bolsa para o Futuro e as atividades do Centro da Juventude como exemplos que se complementam. “As ações de cuidado precisam ser transversais (…). Uma política pública efetiva é aquela que passa por todos esses setores”, afirmou.

A secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Cristina Carrero, apresentou um retrato do serviço em Apucarana: o município conta atualmente com seis famílias habilitadas, das quais três estão realizando acolhimentos, duas em período de pausa e uma disponível para receber nova criança ou adolescente. Segundo ela, o objetivo é ampliar o número de participantes, com apoio técnico e ações de sensibilização na comunidade.

Fabíola informou que o município já iniciou um trabalho técnico com Neusa Cerutti, diretora do Instituto Acolher e referência nacional no tema. Assistente social e mestre em Serviço Social, com 11 anos de experiência na coordenação de um dos maiores serviços de família acolhedora do país, a especialista começou pela capacitação de profissionais e seguirá com ações voltadas ao fortalecimento do serviço e à mobilização de novas famílias.

O afeto como parte fundamental da proteção

Um dos temas do seminário foi “Acolhimento em Família Acolhedora: processo complexo, simplificado pelo afeto”, conduzido por Neusa Cerutti. Para a diretora do Instituto Acolher, o afeto torna mais humano um serviço que lida com situações de violência e rompimento de vínculos. “Falar de acolhimento em família acolhedora é falar de afeto, de amor e de um lugar de pertencimento para crianças vítimas de violência”, disse. Ela reforçou que a qualificação de equipes e a mobilização de famílias são essenciais para garantir o direito ao cuidado e à convivência familiar.

O promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná, Luciano Machado de Souza, defendeu a compreensão do acolhimento familiar como responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade. “Nossa intenção é compartilhar experiências, orientar e motivar o aperfeiçoamento do acolhimento familiar. Mais do que uma palestra, queremos promover um diálogo entre as instituições”, explicou. Ele ressaltou que a prioridade deve ser a permanência na família de origem quando houver condições de proteção; quando não, a modalidade familiar é a alternativa mais próxima do ambiente necessário ao desenvolvimento infantil. “Lugar de criança é na família”, afirmou.

Prioridade do Judiciário na área da infância e juventude

O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Sérgio Luiz Kreuz, afirmou que a ampliação do acolhimento familiar está entre as prioridades do Judiciário paranaense. Segundo ele, aproximadamente 19% dos acolhimentos no Paraná ocorrem hoje nessa modalidade, e a expectativa é avançar para a meta de 25% até 2027, prevista em recomendação conjunta de órgãos nacionais. Ele enfatizou que esse resultado depende da participação dos municípios e da articulação entre instituições.

A pesquisadora e assistente social Natália da Silva Figueiredo, doutora em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, reforçou a urgência de garantir ambientes familiares na primeira infância: “A infância não espera. Precisamos de mais momentos dentro de lares e de braços que acolham nossas crianças”. Para ela, é essencial reduzir o tempo de permanência em instituições e ampliar as oportunidades de convivência familiar.

A promotora de Justiça da Comarca de Apucarana, Aracê Razaboni Teixeira, destacou que o direito à convivência familiar e comunitária é base para a formação cidadã e para uma sociedade mais justa. “Garantir esse direito não é uma opção, mas um dever da sociedade, do poder público e de todos os cidadãos”, afirmou.

Para a juíza de Direito Carolline de Castro Carrijo, da Vara da Infância e da Juventude de Apucarana, a troca com especialistas de referência nacional ajuda a esclarecer dúvidas que ainda freiam a expansão do serviço. “Muitas famílias ainda têm dúvidas e receios (…). Precisamos mostrar que esse vínculo é positivo e fundamental para o desenvolvimento e a proteção de crianças e adolescentes”, disse, ao defender a divulgação de experiências bem-sucedidas.

Próximos passos em Apucarana

O seminário reuniu profissionais da assistência social, representantes de instituições e famílias acolhedoras. A programação incluiu mesa redonda, debates sobre o papel do sistema de Justiça, apresentações culturais e depoimentos de famílias do município. A iniciativa integra o esforço da Prefeitura para fortalecer o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora e a rede de proteção à criança e ao adolescente, ampliar o número de famílias participantes e garantir atendimento individualizado ao público infantojuvenil que necessita de proteção temporária.

Fonte: Redação

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