Que felicidade é essa que buscamos? – Ednotícias
Sonho Analítico

Que felicidade é essa que buscamos?

Maria e João disputam atualmente o título mundial de felicidade. Na Idade Média os paraísos medievais de felicidade eram feitos de comida abundante e segurança, assim como as utopias modernas giraram em torno da liberdade e da igualdade. As variações de conteúdo sugerem uma constante: a felicidade é composta do que nos falta, mais exatamente, da relação com o que nos falta. Se entre nós e o que nos falta está o trabalho, temos uma relação de ir em busca de trabalho se o que nos falta está o amor, passamos uma vida em busca da metade da laranja. Se nos falta dinheiro, poder ou fama, faremos o que for preciso para conquistá-lo.

A felicidade tem aí uma de suas ligações com o outro, o amigo, o vizinho, o colega de trabalho. Por exemplo, nos faltam asas, mas em geral não nos lamentamos sobre isso. Afinal, ninguém tem asas. Nossa felicidade acaba dependendo de como supomos a felicidade dos nossos pares. Se eles aparecessem com asas biônicas, imediatamente nos tornaríamos seres infelizes, afetados por esta privação. Civilizações obcecadas com felicidade, como a nossa, são também culturas de inveja e da competição. Por isso a dificuldade de se ver bem com a felicidade do outro. As pessoas sempre estão em busca de ganhar do outro, que graça teria conquistar tantas coisas e não poder mostrar pra ninguém, não é?!

Por isso a tarefa de educar nossas crianças tornou–se um desafio contemporâneo, sempre queremos que sejam os melhores, melhores jogadores, melhores alunos, melhores filhos, ou seja, o melhor do que o do vizinho. De alguma maneira, queremos tantos que eles sejam felizes para realizar a nossa própria felicidade, pena que é uma satisfação perdida, pois não há plena satisfação. Aqui se encontra a principal armadilha, tendemos a pensar que contrariar o outro trás infelicidade, que não ter o que o outro tem, é ser infeliz, que o sucesso depende do tanto de dinheiro ganhado, e não ganhar como uma recompensa do amor que se trabalha.

Praticando a felicidade dessa maneira, continuamos produzindo uma negação das diferenças reais, uma negação do que são recorrências de uma vida normal, como algo do não sentir, pois se sentir qualquer desconforto não se é feliz. Afinal,  que felicidade é essa, que é colocada a qualquer custo?!

Bruna Zancopé

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