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Médicos encerram greve e perícias retornam na próxima semana

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Após mais de quatro meses de paralisação, os médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiram ontem encerrar a greve da categoria e retornar aos trabalhos na próxima segunda-feira (25). Na região, a greve fez com que mais de 10,8 mil perícias deixassem de ser feitas. Em todo o Brasil, esse número passa de 2 milhões, segundo a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), que representa os trabalhadores. Já de acordo com o próprio INSS, o valor chega 1,3 milhão.

O médico apucaranense e delegado da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP), Cláudio Roberto Dias, explica que, apesar da decisão já ter sido tomada, ainda não se sabe como será realizada a retomada dos trabalhos. “A ANMP e o INSS irão decidir como serão feitos os trabalhos. Ao longo da semana essa decisão será tomada e as diretrizes serão repassadas aos municípios”, ressalta. Mesmo com a volta ao trabalho de 100% dos peritos, o estado de greve será mantido e a paralisação poderá retornar a qualquer momento.

Em Apucarana foram 5,6 mil perícias não realizadas desde o início da greve. A agência local tem quatro médicos dedicados a realizar as perícias, sendo cada um responsável em média por 15 atendimentos diários. Todos eles estão em greve. As consultas continuam sendo marcadas e vão sendo reagendadas enquanto a greve não termina. Há ainda um perito licenciado.

Em Arapongas são também quatro peritos, sendo que um continuou trabalhando e dois deles estavam em férias no início da greve, não retornando ao trabalho após isso. Sendo assim, cerca de 3,6 mil perícias não foram feitas na cidade. Assim como na cidade vizinha, um médico está licenciado.

Dos dois peritos que trabalham em Ivaiporã, um entrou em greve e o outro continuou trabalhando até dezembro. Com isso, 1,5 mil perícias médicas deixaram de ser realizadas. Os profissionais de Arapongas e de Ivaiporã que continuam trabalhando fazem parte dos 30% da gerência de Londrina que devem atender a população. Todas as gerências do país também trabalham com essa porcentagem. São 11 agências dentro da gerência de Londrina, onde 31 médicos peritos atuam.

Estado de greve será mantido

O presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), Francisco Eduardo Cardoso, informou que será mantido o estado de greve e que os profissionais farão apenas o atendimento àqueles que ainda não se submeteram à perícia médica inicial. Segundo Cardoso, não estão descartadas novas paralisações.

“Só vamos fazer atendimentos emergenciais dos que não passaram pelas perícias. As perícias já dadas, casos de acidente de trabalho, aposentadoria especial, aposentadoria por invalidez – qualquer um desses serviços vai continuar paralisado. O foco é o atendimento inicial do auxílio-doença. Quem tiver perícia de prorrogação, nem adianta aparecer porque não vai ser atendido”, disse o médico. Segundo Cardoso, o atendimento não será normalizado enquanto não houver avanço nas negociações com o governo.

Entre as reivindicações dos profissionais está o aumento salarial de 27,5%, em no máximo duas parcelas anuais, a efetivação em lei da redução da carga horária de 40 horas para 30 horas semanais, a recomposição do quadro de servidores e o fim da terceirização da perícia médica, com retorno da exclusividade da carreira médica pericial.

Fonte: TNOnline

Autor: Renan Vallim

Foto: Sérgio Rodrigo