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Superendividamento dos idosos

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Uma dramática realidade de nosso dia-a-dia tem chamado a atenção pelo fato de que milhares de idosos, mesmo recebendo benefícios previdenciários, estão vivendo em estado de miséria. O grande vilão desta situação extrema é o assédio dos bancos, com promessas de crédito fácil levando ao descontrole financeiro dos idosos e a subsistência destes. Tal fato está acontecendo em todo o Brasil, inclusive aqui, em Arapongas.
Neste caso, o superendividamento dos idosos tem ocorrido porque estes não conseguem quitar seus débitos sem o sacrifício da própria sobrevivência, ou seja, as dívidas não foram bem planejadas e, por isso, não conseguem pagar sem comprometer a renda mensal.
Entre as razões para o surgimento do superendividamento entre os idosos, está a ampla oferta de crédito sem a devida educação financeira. Ocorre que a rápida aceitação dos aposentados e pensionistas, principalmente, daqueles mais humildes e menos letrados, pelo crédito consignado, aguçou a ganância das financeiras, que investem mais e mais na oferta e na publicidade, procurando atingir os idosos incautos.
O superendividamento dos idosos está ligado a oferta ostensiva de crédito consignado sem qualquer critério ou consulta a capacidade de endividamento do idoso, número infindável de parcelas, com o comprometimento da renda, renovação automática do financiamento, fazendo que o idoso perca o controle da dívida, fraudes na obtenção do financiamento, satisfação de carências imediatas, ajuda à parentes, trapaças realizadas por consultores inescrupulosos, falta de planejamento para adequar as contas à queda da renda com a aposentadoria, longevidade: como vivem mais, os idosos viajam e gastam em lazer, muitas vezes recorrendo a empréstimos, ganho de importância na estrutura familiar, pois os idosos ajudam a pagar as contas de filhos e netos.
Os idosos, geralmente, após contratarem o empréstimo consignado são arrastados para um mar de dificuldades, que pouco a pouco, atrapalha o pagamento de suas contas. O processo de endividamento termina na incapacidade de quitação das dívidas, levando-o a ir atrás novos empréstimos para saldar os anteriores. Este ciclo vicioso coloca-o numa situação perigosa, sobretudo quando não mais dispõe de margem consignável para realizar novos financiamentos.
Outro fato relevante para mencionar é que subiu o número de denúncias de abuso financeiro contra idosos, vítimas da concessão agressiva e muitas vezes irregulares de empréstimos consignados. É preocupante o fato do idoso se aposentar e logo em seguida começar o assédio dos bancos e das financeiras. Às vezes, os idosos nem receberam o primeiro benefício e as ligações já começam.
Segundo especialistas da área, para sair do superendividamento é necessário fazer um levantamento de tudo que está devendo, calcular quais são as despesas mensais básicas da família e avaliar quais gastos podem ser cortados. Acabar com o debito automático, estipular quais dividas podem ser pagas primeiro sem comprometer os rendimentos, não contrair novos empréstimos, sem antes quitar completamente as dívidas anteriores com os bancos e as financeiras e procurar ajuda profissional de um advogado de confiança, para promover a ação revisional.

Por isso, fique atento.
Silvonei Sergio Zaghini