Sonho Analítico

Que dor é essa?

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Dor de cabeça, dor nas pernas, dor de cotovelo, dor de amor e por aí vai… Bom, provavelmente você já SENTIU alguma dor, mas você já parou para se perguntar o que é a dor?

Existem diversos tipos de dor e segundo o dicionário a dor seria uma “sensação dolorosa”, o que parece ser um tanto quanto redundante não é mesmo?! Pois é, acontece que a dor é algo complexo que está relacionado com a nossa percepção, ou seja, passa pela nossa subjetividade.  Se pararmos para pensar a fundo, a dor é um nome que damos através da linguagem para “traduzir” uma sensação desagradável que estamos sentindo, sensação esta que pode ou não estar relacionada com uma lesão biológica.  Por vezes sentimos algo tão profundo e não conseguimos fazer essa “tradução”, ou seja, não conseguimos colocar em palavras o que estamos sentindo e surgem em nosso corpo diversas dores para mostrar que algo não está bem, essa dor pode ser um aviso da necessidade de alguma ajuda, um sinal de que o que precisa de cuidado é o sujeito que sofre e não aquela dor em si.

E como aprendemos o que é dor? Essa construção começa lá na nossa infância quando ainda somos bebezinhos e choramos e choramos e nossa mãe diz “ah ele está com cólica deve estar doendo” ou então “ele está com dor porque os dentinhos estão nascendo”, é a partir de nossas  experiências anteriores e deste outro que em um primeiro momento dá sentido à elas que cada indivíduo vai aprendendo a usar este termo e vai também construindo sua própria noção de dor.

Podemos tentar dividir a dor em tipos como a dor física que é associada as lesões reais; a dor psíquica que pode abranger vários sentimentos como a raiva, medo, tristeza, revolta insegurança entre outros. Mas na realidade a dor é única, ela é uma experiência única que só acontece no corpo daquele que a está sentindo. Por vezes pensamos que nosso corpo é igual ao do outro por ser parecido em suas características biológicas, porém quando nascemos ainda não temos uma compreensão de que nossas mãozinhas, nossos braços, pernas e barriga, por exemplo, fazem parte de um corpo e muito menos que este corpo do qual eles fazem parte é nosso. Nós vamos ganhando essa compreensão com o passar do tempo e de novo através da linguagem de um outro. Desta forma, nosso corpo já não é mais apenas um aparato biológico, ele também é subjetivo e cada um o entende e sente de uma forma.

Assim quando dizemos por força do hábito “eu sei que está doendo agora, eu já passei por isso” podemos estar generalizando ou até mesmo menosprezando a dor e o sofrimento daquela pessoa visto que não passamos pela mesma situação ou tivemos a mesma experiência, elas podem ter sido parecidas, mas não iguais, pois como já dizia o filósofo Heráclito “não se pode banhar-se no mesmo rio duas vezes, pois quando entrares novamente você já estará mudado e as águas também já não serão mais as mesmas”….

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