Sonho Analítico

Educar: afinal, de quem é a responsabilidade?

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Educar não é uma tarefa fácil, principalmente se considerarmos todas as mudanças sociais e tecnológicas que ocorreram nos últimos anos. Antigamente a responsabilidade pela educação dos mais novos cabia exclusivamente à família, eram os pais e parentes mais velhos que transmitiam todo o conhecimento sobre valores morais, conhecimentos técnicos e a sabedoria de vida.

Com o capitalismo e com a Revolução Industrial, a sociedade passou a precisar de mão de obra mais qualificada e os conhecimentos transmitidos pela família já não eram mais suficientes fazendo com que surgissem as primeiras escolas.  No momento em que a família deixou de ser a única responsável pela educação dos filhos, a escola assumiu a responsabilidade pelos conhecimentos técnicos e científicos.

Porém, a escola deveria ser uma continuação da educação familiar, ou seja, os princípios e valores básicos como limites, respeito ao próximo e gentileza deveriam vir de casa. “Educação tem que vir de casa” é o que costumamos ouvir.

De alguma forma algo se perdeu no caminho e atualmente vemos m grande debate sobre afinal de quem é a responsabilidade por educar, se é da família ou da escola. De um lado temos pais exaustos e sobrecarregados pelas triplas jornadas feitas na tentativa de se sustentar e sustentar os filhos, que trabalham até mesmo quando estão em casa e justificam que a escola é quem deveria educar já que os filhos passam a maior parte do tempo seja na escola ou na creche. Enquanto a escola justifica que esta responsabilidade é da família, pois os professores estão lá para ensinar matemática, português, ciências e por ai vai.

Ninguém quer pra si esta responsabilidade, porque como dito no inicio do texto educar não é tarefa fácil, como consequência disso, vemos cada vez mais crianças e adolescentes “mal-educados”. O que não costumamos parar para pensar é que  esses comportamentos “ruim”, a desobediência e até mesmo a agressividade e desrespeito por parte dessas crianças e adolescentes são na verdade uma forma de mostrar que algo não está certo, eles são “mal-educados” justamente para mostrar que quando ninguém assume pra si esta responsabilidade de educar a educação simplesmente se perde, mesmo eles tendo família e indo diariamente para escola.

O objetivo deste texto não é “apontar o dedo”, nem buscar culpados, é refletir sobre essas questões e mostrar que ninguém está ganhando quando ficamos apenas pensando no problema e em de quem é a culpa. Quando fazemos isso, saímos todos perdendo, a família segue sobrecarregada, a escola sobrecarregada e sem conseguir dar conta da demanda de seus alunos que são inúmeros e principalmente as crianças seguem perdidas e sem limites, crescem assim e no futuro também não terão bagagem para educar seus próprios filhos e corremos o risco de perpetuar gerações de pessoas “mal-educadas”. Talvez este seja o momento de juntar forças, de cada um pegar um pouco desta responsabilidade para que família, escola e psicólogos unidos sejam capazes de começar a por em práticas soluções para fazer a mudança que tanto dizemos que precisa haver na educação.

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