Esse aparelho serve para evitar que as pessoas afligidas pela presbiopia tenham que trocar os óculos o tempo todo, usando um acessório para enxergar de perto e outro para enxergar de longe. Algumas lentes atuais até possuem foco duplo, mas não ajudam em momentos em que o usuário precisa agir rapidamente, como no trânsito.

Com óculos tradicionais, Mastrangelo conta que tinha problemas para dirigir em locais desconhecidos, pois não conseguia enxergar o GPS no painel do carro, uma vez que não tinha como remover os óculos feitos para ver de longe e essenciais para reparar nas ruas e na sinalização e colocar os para ver de perto.

Eu ficava me perguntando o porquê de eu estar sendo tratado com tecnologia desenvolvida por Benjamin Franklin. Eu não vivo no século 18, explicou Mastrangelo.
Essa dificuldade foi o que motivou Mastrangelo a dedicar seu tempo à  criação, que hoje funciona a partir desse protótipo que você confere na imagem abaixo. Ele conta com uma câmera infravermelha entre as lentes que serve para identificar a distância entre o rosto do usuário e o objeto que ele está olhando. Com isso, os óculos automaticamente mudam a curvatura das lentes líquidas para fazer o foco.

Pessoas com presbiopia perderam a flexibilidade no globo ocular, o que fazia a curvatura da lente do olho de forma natural. Por isso, os mais idosos (como eu) possuem dificuldade para ler livros, por exemplo. Crianças normalmente têm uma capacidade bem maior de trocar o foco de visão de um objeto para o outro. Quando a pessoa atinge a vida adulta, o problema pode começar a se manifestar.

Para fazer os óculos funcionarem, Mastrangelo precisou embutir uma bateria no dispositivo, capaz de enviar impulsos elétricos para as lentes com frequência e também operar a câmera infravermelha ininterruptamente. A versão atual do aparelho consegue trocar o foco em apenas 14 milissegundos, o que o olho humano, em teoria, não deve perceber. A autonomia dos óculos é de mais de 24 horas no estágio atual de desenvolvimento.

Mas graças a Deus (eu agradeço imensamente por esta descoberta), Mastrangelo e um de seus estudantes de doutorado, Nazmul Hasan, no momento trabalham na segunda geração do aparelho, que deve ser bem mais leve, mais compacto, mais estiloso e mais capaz, explicou o professor. A nova versão contará com sistema de rastreamento de olhos para o dispositivo entender melhor para onde o usuário está olhando e, com isso, ajustar o foco com mais precisão.

O criador acredita que seu produto possa chegar ao mercado em dois ou três anos e deverá custar algo entre US$ 500 e US$ 1 mil.

Se for este valor já vou reservar o meu, pois o que já gastei em consultas e óculos (de grau para perto, para escritório, multifocal, etc.) sem resolver o problema já passou bem mais do que isto.

Só quem tem esse problema é que consegue entender o que digo. Eu também sempre me perguntei porque esta indústria de lentes ainda não lançou algo para resolver de vez os problemas de quem não consegue enxergar de perto. E o pior é que somente gastando e experimentando todo tipo de óculos é que você descobre que nem um deles é o que você precisa.

Então o que era para ser feito para resolver o seu problema acaba te desgastando e trazendo mais estresse e dor de cabeça. Infelizmente.