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A era da “pílula mágica”

pilula

Diariamente, somos submetidos a inúmeras informações na área da saúde nos dizendo o que fazer para ter uma vida mais saudável e esta “onda saudável” tem possibilitado uma vida mais longa e com melhor qualidade, mas por outro tem criado um espaço de utilização de medicamentos que estão mudando nossos hábitos.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a saúde não seria apenas a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. Mas será é possível atingir um estado de perfeito bem-estar?

Hoje em dia vivemos em uma sociedade onde nos é negado o direito de sentir, de certa forma nos é cobrado estar bem o tempo inteiro, viver em um “perfeito bem-estar”, mas na realidade isso é algo idealizado, diariamente todos nós passamos por problemas, temos conflitos, passamos por situações que nos causam sofrimento. Nesta busca utópica pela sensação de bem-estar pleno acabamos incentivando a intolerância ao sofrimento em um nível cada vez mais profundo, desta forma cada vez mais transformamos situações cotidianas de conflito em prováveis distúrbios passíveis de tratamento médico.

Pensa-se que existe uma pílula mágica para cada tipo de problema e indústria farmacêutica e os médicos contribuem muito para essa cultura, entretanto os pacientes também possuem sua responsabilidade por esperarem uma solução medicamentosa rápida para problemas complexos. Assim uma tristeza normal como o luto, por exemplo, torna-se transtorno depressão, comer em excesso torna-se transtorno da compulsão alimentar, as birras infantis se tornam ‘transtorno do temperamento irregular’ ou então sua agitação, comum da energia presente na passa a ser diagnosticada como hiperatividade.

Tudo isso “solucionado” por aquela pilulazinha mágica capaz de tirar todas as mazelas do mundo e dentro desse contexto o sujeito passa a se automedicar ingerindo remédios que, com o passar do tempo, passam a ser consumidos de uma forma irracional, quase obsessiva.

Nosso objetivo não é recusar os benefícios terapêuticos dos medicamentos, mas é preciso parar e refletir sobre o porquê de preferirmos viver “apagado”, topado por medicamentos do que enfrentar nossos problemas e lidar com aquilo que nos faz sofrer.

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