Arapongas

Para Sergio Onofre, Arapongas saiu do adormecimento de 4 anos

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Em entrevista à reportagem da Tribuna do Norte nesta semana, o prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre da Silva (PSC), fez uma avaliação do seu primeiro ano de mandato, como pegou a Prefeitura, os problemas enfrentados no início da gestão e o que foi feito para controlar as finanças do Município. Também relata o que foi feito em termos de obras durante o ano e anuncia um pacote de obras e ações para 2018. Para o prefeito, o mais importante ainda é que o município de Arapongas, que ficou adormecido e esquecido durante quatro anos, recuperou seu prestígio político e econômico e seu lugar de destaque no Paraná.

TRIBUNA DO NORTE – Como avalia este seu primeiro ano de mandato?

SÉRGIO ONOFRE – Posso dizer que este primeiro ano de mandato foi de aprendizado e, ao mesmo tempo, de muitas realizações. Foi um ano positivo de modo geral, mesmo com todos os problemas de toda ordem que herdamos e tivemos que enfrentar no início da gestão e durante o ano todo. Neste ano conseguimos retomar algumas obras que estavam abandonadas e, inclusive, concluir algumas delas. Entre elas, cito o ginásio de esportes do Centro Social Urbano Mauro Cassitas e o PAI (Pronto Atendimento Infantil), ambas no Jardim Caravelle. A obra do PAI, inclusive, estava só 23% construída. Concluímos o Posto de Saúde do Jardim São Rafael e iniciamos a construção da creche no mesmo bairro, que está 80% pronta. Adquirimos um prédio já adequado para creche com 13 salas e reformamos. A unidade tem capacidade para atender de 250 a 300 crianças. Também adquirimos um posto de saúde no Jardim Primavera, que será entregue agora em fevereiro.Reformamos o Posto de Saúde 18 Horas e o CMEI do Jardim Flamingos, além de fazer um quarteirão de calçadas com paver ao redor do CMEI.Na área de infraestrutura urbana fizemos a ligação do Jardim Arapongas com o Jardim Piacenza, através do asfaltamento da Rua Sabiá-Castanha, que era pura terra e estava abandonada.

TN – Que tipo de problemas encontrou no início do mandato?

SÉRGIO ONOFRE – Pegamos o Município com R$ 3,2 milhões em caixa, porém com uma dívida de R$ 5,8 milhões a curto prazo para empenhar e pagar, o que corresponde a um déficit financeiro de R$ 2,6 milhões. Em função disso, tivemos que segurar muita coisa no começo para acertar as dívidas pendentes.No entanto, abrimos também uma auditoria, que está em andamento, para levantar a real situação da Prefeitura em todos os aspectos e conhecer a fundo o que aconteceu na gestão passada. Tivemos que tomar esta medida até para não assumirmos dívidas que na realidade são duvidosas. Por isso, ainda tem muita coisa pendente, principalmente licitações de serviços que já foram pagos, porém estão sob investigações.

TN – No começo do ano o sr. fez duras críticas ao Plano de Cargos e Salários do funcionalismo implantado pela gestão anterior. O que tinha de errado e o que foi feito?

SÉRGIO ONOFRE – O Plano de Cargos e Salários que fizeram na administração passada prestigia quem ganha mais e desprestigia quem ganha menos. Do jeito que foi feito, quem ganha muito ganha cada vez mais e quem ganha pouco ganha cada vez menos. Por isso fizemos algumas adequações no plano, porém de forma a não sofrer uma estrangulação. Mas do jeito que foi feito tivemos que tomar algumas medidas administrativas de investigação sobre o que realmente aconteceu. Hoje, o Plano de Cargos e Salários está sub judice, ou seja, foi encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná e ao Ministério Público Estadual para as devidas providências.

TN – Com este problema do Plano de Cargos e Salários, o sr. está conseguindo controlar a folha salarial do funcionalismo?

SÉRGIO ONOFRE – Logo no começo do mandato tivemos que segurar as contratações de secretários, de cargos comissionados, cortar gratificações e enxugar a folha de pagamento ao máximo possível. Quando assumimos em janeiro, os gastos com a folha de pagamento estavam em 54.6%, ou seja, bem acima do limite prudencial que é de 51.30%. Hoje estamos mantendo os gastos na média de 51%.

TN – Como a administração municipal fechou o exercício de 2017?

SÉRGIO ONOFRE – Durante todo o ano fizemos um rigoroso controle de gastos em todos os setores. Tivemos o cuidado de aplicar corretamente cada centavo do dinheiro público. Desta forma, mantivemos todos os compromissos em dia e conseguimos fechar o ano com um superávit e sem dever nada para ninguém. Tudo que compramos durante o ano nós pagamos e não fizemos empréstimos.

TN – Além das obras já citadas, quais outros investimentos foram feitos em 2017?

SÉRGIO ONOFRE – Para se ter uma ideia, investimos R$ 14 milhões a mais na saúde em relação ao ano anterior. A lei fiscal exige que o Município invista no mínimo 15% do orçamento na área de saúde. Nós investimos 24%. Aliás, quando pegamos a Prefeitura, o índice de mortalidade infantil em Arapongas estava em 17.58% e hoje caiu para 9.7%. E olha que ainda nem abrimos o PAI (Pronto Atendimento Infantil). A tendência é melhorar ainda mais este índice, porque temos um cuidado todo especial com a saúde da população, em especial das mães e das nossas crianças. Na educação investimos o limite estabelecido, que é de 15%.Neste ano deveremos investir mais na educação com a compra de materiais escolares e uniformes completos, incluindo tênis, para nossos alunos da rede municipal.Também vamos implantar a robótica na educação, com investimentos de R$ 2 milhões de recursos próprios.Em nível superior, oferecemos o cursinho gratuito vestibular, que aprovou 18 alunos nas universidades e faculdades da região, inclusive dois em primeiro lugar nos cursos de Medicina e Medicina Veterinária. Dentro de poucos dias outro cursinho deverá ser iniciado sob o comando do professor Rodrigo Surek.

TN – Que investimentos estão previstos para este ano?

SÉRGIO ONOFRE – Um dos grandes investimentos será o combate à erosão. Temos pelo menos seis pontos de erosão no município que preocupam a administração municipal e, principalmente, os moradores. O investimento previsto é de R$ 13 milhões. De início já está sendo investido R$ 1,2 milhão no combate à erosão do Jardim São Rafael.Neste ano vamos investir ainda R$ 2,5 milhões na revitalização da Rua Pavão; R$ 1 milhão na revitalização da Avenida Arapongas; R$ 360 mil na revitalização da Rua Perdizes; R$ 1 milhão na execução do projeto Meu Campinho e R$ 4,3 milhões na construção de um prédio próprio para a Escola Municipal Padre Bernardo Merckel do Conjunto Padre Chico, que funciona parte em um espaço físico alugado. Também vamos investir os R$ 3,3 milhões devolvidos pela Câmara de Vereadores na construção de um grande e moderno centro esportivo no Conjunto Flamingos. Já temos ordem de serviço para início das obras de pavimentação com pedras irregulares num trecho de 12 quilômetros da estrada do Araguari ligando a BR-369 ao Assentamento Dorcelina FolladorVale lembrar que temos um compromisso da Sanepar de investir R$ 45 milhões em saneamento básico, atendendo principalmente a região dos conjuntos habitacionais Araucária e Corina Pugliesi, e mais R$ 12 milhões na ampliação do sistema de abastecimento de água.

TN – No começo do mandato muito se falou da Companhia de Desenvolvimento de Arapongas (Codar), que estaria em situação de falência. Como está hoje?

SÉRGIO ONOFRE – Assumimos o município com a Codar tendo uma dívida de R$ 1,3 milhão e com muitas irregularidades internas, constatando-se, entre outras coisas, superfaturamento na contratação de máquinas e nas compras de luminárias, além de contratação de funcionários sem necessidade. A Codar foi a grande lavadeira de dinheiro daqueles que estiveram no poder durante quatro anos. Fizemos uma auditoria na Codar e encaminhamos o processo para a Promotoria Pública tomar as providências cabíveis.

TN – Qual o relacionamento da administração municipal com a Câmara de Vereadores?SÉRGIO ONOFRE – Nosso relacionamento com a Câmara de Vereadores é o melhor possível. Respeitamos a posição dos vereadores e eles analisam nossos projetos da maneira que entenderem. Aliás, eu sempre falo que todo prefeito tinha que ser antes vereador, para ter experiência do que acontece num legislativo. Eu fui vereador por quatro mandatos e quatro vezes presidente da Câmara num período de oito anos. Por isso me entendo muito bem com todos eles.

TN – E o relacionamento com os governos estadual e federal, como tem sido?

SÉRGIO ONOFRE – Quando entramos na Prefeitura restabelecemos um relacionamento com os governos estadual e federal que não existia antes. Arapongas viveu quatro anos no adormecimento, sem nenhum governo interessado no município. Só neste primeiro ano de mandato o governador Beto Richa esteve três vezes em Arapongas trazendo investimentos e temos muitos projetos em trâmite também no governo federal.Na conjuntura política e econômica, Arapongas voltou a ser destaque nas esferas estadual e federal, sendo hoje o 13º município do Paraná em arrecadação. Podemos dizer que em um ano apenas Arapongas já recuperou seu prestígio político e econômico em nível de Paraná.