Apucarana

Evento em Apucarana debate migração, segurança alimentar e desenvolvimento rural

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Anualmente, no dia 16 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Alimentação. Neste ano, o tema proposto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) traz o mote: “Mude o futuro da migração: investir na segurança alimentar e no desenvolvimento rural”. Em Apucarana, a data será marcada com um painel de experiências da realidade local, das 13h30 às 17 horas, nas dependências do campus local da Universidade Estadual do Paraná (Unespar/Fecea).

Localmente, o evento é uma mobilização do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Apucarana (CONSEA), em conjunto com as secretarias Municipais da Assistência Social e da Agricultura, Cooperativa dos Cafeicultores do Distrito de Pirapó (Coocapi), Colmeia, Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia), Emater, Regional da Seab e Núcleo Nós Podemos Vale do Ivaí – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Todos os anos, no Dia Mundial da Alimentação, a FAO coloca em debate um tema de relevância para a sociedade em geral. Em 2017, a organização convida todas e todos a refletirem sobre os impactos dos deslocamentos humanos na atualidade. Neste mesmo dia, por influência da organização mundial, evento semelhante estará acontecendo em mais de 150 países, objetivando promoção da consciência e ação global em prol daqueles que sofrem de fome e defendendo a necessidade da garantia da segurança alimentar e dieta nutritiva a todos”, informou Ana Paula Nazarko, secretária Municipal da Assistência Social.

Para os organizadores, o Dia Mundial da Alimentação representa grande oportunidade para a difusão do ODS2 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2) – Fome Zero e Agricultura Sustentável. O presidente do CONSEA, Alex Sousa, salienta que o desafio em mudar o futuro da migração reside na criação de condições que permitam, especialmente aos jovens, permanecerem na zona rural. “Investir no homem do campo é garantir a toda a população o acesso a uma alimentação adequada e saudável, de forma permanente e sustentável”, pontuou. Ele frisa que aproximadamente 70% dos alimentos que consumimos são oriundos da agricultura familiar. “E pensando justamente neste cenário preparamos este evento de segunda-feira. Precisamos cada vez mais promover a segurança alimentar e o desenvolvimento rural, garantindo ao homem do campo oportunidade de negócios e proteção social, reduzindo os conflitos sobre os recursos naturais e soluções para a degradação ambiental e as mudanças climáticas”, conclui o presidente do CONSEA.

Dados da migração mundial

– Em 2015, havia 244 milhões de migrantes internacionais. Um aumento de 40% em relação ao ano 2000.
– O número de pessoas que migram dentro de seus próprios países foi estimado em 763 milhões em 2013, ou seja, havia mais migrantes internos do que internacionais.
– Cerca de um terço de todos os migrantes internacionais tinham entre 15 e 34 anos. Quase metade eram mulheres.
– Em 2015, os migrantes enviaram mais de US$ 600 bilhões em remessas a seus países de origem. Desse total, os países em desenvolvimento receberam cerca de US$ 441 bilhões, quase três vezes o montante da assistência oficial ao desenvolvimento. – Um grande número de migrantes vem das áreas rurais, onde mais de 75% dos pobres e pessoas com insegurança alimentar dependem a agricultura e subsistência baseada em recursos naturais.
– A maioria dos migrantes, internacionais ou internos, provém do Oriente Médio e Norte da África. Ásia Central. América Latina e Europa Oriental.
– Em 2015, 65,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram deslocadas por conflitos e perseguições, inclusive mais de 21 milhões de refugiados, três milhões de pessoas solicitando asilo e mais de 40 milhões de pessoas deslocadas internamente.
– Um quarto dos refugiados vive em três países: Turquia, Paquistão e Líbano. – Em 2015, mais de 19 milhões de pessoas foram deslocadas internamento devido a desastres naturais. Entre 2008 e 2015, em média, 26,4 milhões de pessoas foram deslocadas anualmente por desastres relacionados ao clima.

Dados da migração no Brasil

– A maior saída do campo para a cidade foi registrada entre as décadas de 1960 e 1980. – Dados do último censo demográfico do IBGE (2010), mostram que a taxa de migração campo-cidade por ano, no início de 2000, era de 1,31%, caiu para 0,65% em 2010.
– De 1980 a 2010 a população rural passou de 39 milhões de pessoas para 29,8 milhões. Isso representa um deslocamento no período de 9,2 milhões de pessoas. Dos anos 2000 a 2010, a população rural apresentou uma redução de 2 milhões de pessoas. Em 2000 era de 31,8 milhões e em 2010 de 29,8 milhões. (Censo 2010 IBGE).
– Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostram que 31 milhões 294 mil pessoas vivem no campo atualmente. Em 2011, 29 milhões 749 mil vivam em áreas rurais. – 491.645 brasileiros deixaram o país, sendo 226.743 homens e 264.902 mulheres. Os principais destinos foram: Estados Unidos, Portugal e Espanha. (Censo IBGE 2010).
– A Receita Federal também registrou, entre 2014 e 2016, a entrega de mais de 55 mil Declarações de Saída Definitiva do País, um crescimento de 81,61% na comparação com os três anos anteriores. Crise econômica e alta no desemprego são os principais motivos da partida.
– Segundo dados da Polícia Federal, o país abriga 1.847.274 imigrantes regulares. Mais de 117 mil estrangeiros deram entrada no país apenas em 2015, um aumento de 160% em dez anos. Os haitianos estão no topo da lista: foram com 14.535 registrados pela PF. Os bolivianos ocupam o segundo lugar com 8.407, seguidos pelos colombianos (7.653), argentinos (6.147), chineses (5.798), portugueses (4.861) paraguaios (4.841) e norte-americanos (4.747). De maneira geral, os imigrantes que dão entrada no Brasil são jovens, homens e com nível de escolaridade médio ou superior. As regiões Sul e Sudeste são as que mais absorvem trabalhadores imigrantes.
– Segundo dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2015), a unidade da federação com o maior percentual de imigrantes, em proporção, é o Distrito Federal. Os estados do Norte e do Centro-Oeste estão no topo do ranking da migração interna.