Sonho Analítico

A medicação da inquietude

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O crescimento do diagnóstico do TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, é assustador no mundo todo. Entretanto, o Brasil é o segundo país que mais consume a droga (RITALINA) para conter os sintomas nas crianças.

O que a droga faz é silenciar essa criança, silenciar seu sofrimento, inibir seu sintoma, isso é péssimo, pois junto com essas bolinhas, a criança vai engolindo as palavras que poderiam ser ditas sobre o que lhe causa sofrimento.

A droga tampona a angustia da criança que se manifesta no corpo, fazendo com que as crianças fiquem quietinhas, adaptadas, sossegadas, sem questionamentos, sem rebeldia..

A contemporaneidade quer um sujeito enquadrado, que estude inglês, música, natação, tire notas altas em todas as matérias,  isso tudo gira em torno de um consumo, que cada dia se torna algo  mais alarmante.

Quando se fala sobre o TDAH e os diagnósticos infantis logo se pensa em um “problema “ da criança, mas nem sempre essa é realmente uma questão da criança. Normalmente são os pais e os professores que enxergam a necessidade da criança ser diagnosticada e medicada para que ela consiga “se desenvolver melhor” e ter o mesmo desempenho/comportamento das outras crianças.

É preciso pensar não só nas questões que levam a criança a apresentar essa agitação, mas também pensar no que isso gera no adulto. Muitas vezes medica-se a criança porque essa inquietude dela faz com que as angústias dos pais venham a tona também, é preferível medicar e ter um efeito imediato daquele sintoma do que lidar com ele. Devemos olhar para a criança e também para aqueles que a cercam como os pais e professores, buscar entender o que o TDAH mobiliza neles também afinal há muito o que se pensar sobre os rótulos e diagnósticos já que eles muitas vezes estão diretamente ligados à expectativas que se tinha e tem sobre a criança, qual é a imagem de criança  “normal” e “bem comportada” que se tem? Seria essa imagem algo possível de se ter ou apenas um ideal?

O trabalho da psicanálise é fazer o convite ao sujeito para que se possa falar disso, tira-lo do lugar desse rótulo de hiperatividade, por exemplo, e olha-lo de outra forma, escutar o sofrimento que o transborda, para que o sujeito exista de outra forma, levá-lo ao questionamento de qual a função desse diagnóstico e de como ele afeta e implica esse sujeito.

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